No mercado de ações, Petrobras pressiona e o Ibovespa perde os 68 mil pontos

O dólar comercial caiu 0,46% e encerrou o dia negociado a R$ 1,706 na compra e na R$ 1,708 na venda. A moeda teve sua décima queda seguida e atingiu a menor cotação desde 9 de novembro de 2009, quando valia R$ 1,701.

Segundo o chefe de estratégia de renda fixa de mercados emergentes do Bank of America Merrill Lynch, Daniel Tenengauzer, a taxa de câmbio se aproxima de uma zona de preço na qual o retorno de se apostar em nova queda não compensa o risco da operação. Ou seja, o real está ficando caro.

Na visão do estrategista, há muitos eventos positivos embutidos na cotação da moeda brasileira, como captação da Petrobras e outras fontes de fluxo externo, e poucos eventos que poderão se mostrar negativos. Entre eles toda a incerteza embutida na transição de governo. Para Tenengauzer, essas incertezas pouco precificadas devem aparecer no mercado logo após a conclusão do processo eleitoral, pois é nesse período entre outubro e janeiro, que o mercado conhece quem serão os novos componentes da equipe econômica e do colegiado do Banco Central (BC).

Outra dúvida citada pelo especialista é qual será a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES) em 2011. Ainda de acordo com Tenengauzer, dólar abaixo de R$ 1,70 também não é interessante para o governo por uma série de fatores. Entre eles, como a inflação está sob controle, rodando abaixo de 5%, não há necessidade de utilizar a taxa de câmbio valorizada como instrumento de política monetária

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 0,50% nesta terça-feira, cotada em 67.691 pontos. A baixa foi puxada pelas ações da Petrobras, que ficaram entre as maiores perdas do Ibovespa. Petrobras PN (sem direito a voto) caiu 5,12% e a ON (com direito a voto) recuou 4,80%. Começou nesta segunda-feira o prazo para os acionistas decidirem se querem investir mais recursos na Petrobras por meio do processo de capitalização da estatal.

Na Bolsa, após a alta de ontem, que reduziu a queda em 2010 para apenas 0,81%, os mercados internacionais oscilaram próximos da estabilidade, após dados positivos nos EUA e contraditórios na Europa.

O governo dos EUA informou que as vendas no varejo norte-americano subiram 0,4% em agosto, pelo segundo mês seguido. Analistas esperavam avanço de 0,3%. O dado de julho foi revisado em baixa, para 0,3%, ante uma leitura original de 0,4%. No Brasil, as vendas do comércio varejista registraram aumento de 0,4% em julho ante junho, como era previsto. Na Europa, o índice ZEW de expectativas econômicas na Alemanha caiu para o menor nível em um ano e meio em setembro, para -4,3 pontos, ante 14,0 em agosto. Na zona do euro, a produção industrial ficou estável em julho ante junho.

O economista da Legan Asset Fausto Gouveia comentou pela manhã que a Bolsa se mostrou mais leve após os ganhos de ontem. Segundo ele, há espaço para novos avanços, mas o comportamento do dia passaria pelo desempenho de Petrobras, que caiu.

Para operadores, os investidores também buscaram realização de lucros hoje, especialmente com papéis que apresentam maior valorização no ano ou que estão mais próximos de seus preços-alvo, para fazer caixa para participar da oferta de ações da Petrobras.

No final do dia, um movimento financeiro acentuado com as ações da Vale levou o giro total da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a superar os R$ 7 bilhões, fechando em R$ 8,2 bilhões. Duas intituições de grande porte - Credit Suisse e Itaú - tiveram atuações mais fortes nos papéis da mineradora, elevando seu giro no dia. Vale PNA caiu menos que a Bolsa (-0,66%) e movimentou 25% do total.

(com Valor Online e Agência Estado)

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