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A moeda norte-americana exibe agora queda de 0,60% em junho. No ano, a variação ainda é positiva, de 3,84%

Dólar teve maior baixa desde 27 de maio
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Dólar teve maior baixa desde 27 de maio
O dólar caiu mais de 2% frente ao real nesta quinta-feira, com o mercado aproveitando o ambiente externo favorável a investimentos considerados de risco para reverter a alta acumulada no mês.

A perspectiva de aumento dos ingressos de recursos no país por causa do juro básico mais alto e da capitalização de Petrobras e Banco do Brasil deu impulso extra à valorização do real --que se fortaleceu mais ante o dólar do que a maior parte das principais moedas.

A divisa dos Estados Unidos terminou o dia a R$ 1,810, em queda de 2,06%. É a maior baixa diária do dólar desde 27 de maio.

A moeda norte-americana exibe agora queda de 0,60% em junho. No ano, a variação ainda é positiva, de 3,84%.

Analistas em todo o mundo deram dois principais motivos para a recuperação da confiança: números positivos sobre o comércio exterior na China e forte demanda em um leilão de títulos públicos na Espanha

O Brasil também ofereceu motivos para a valorização do real. Um deles, o aumento do juro básico em 0,75%, já era esperado pelo mercado mas ajuda a reforçar o ingresso de capitais no longo prazo.

Além disso, a oferta de ações do BB e da Petrobras teve impacto mais direto nesta sessão após a aprovação pelo Senado da capitalização da petrolífera, nesta madrugada.

A oferta de ações da Petrobras pode ser a maior da história, com volume estimado entre US$ 15 bilhões e US$ 25 bilhões. A oferta primária do BB deve levantar cerca de R$ 10 bilhões --pouco mais de US$ 5 bilhões .

"A expectativa de entrada maior de recursos e de receitas maiores de exportação oriundas do projeto (do pré-sal) vão gerar uma apreciação da moeda brasileira", escreveu Tony Volpon, analista da Nomura Securities, em relatório. "Reafirmamos nossa previsão de dólar a R$ 1,70 no final de 2010."

QUEDA ATRATIVA

A queda do dólar no Brasil chamou até a atenção de compradores. O operador de um banco de investimento, que preferiu não ser identificado, afirmou que estava comprando moeda estrangeira por causa da possibilidade de que outras notícias relativas à crise da dívida europeia provoquem surtos de aversão a risco e uma nova valorização do dólar.

Mas Marcelo Oliveira, operador de câmbio da corretora BGC Liquidez, afirmou que não foi a ação dos compradores que impediu uma queda maior da moeda norte-americana rumo a R$ 1,80.

"Caiu bastante hoje e é natural que encontre uma acomodação. Mas ainda a venda é mais forte (do que a compra)", afirmou Oliveira.

Enquanto o mercado de câmbio fechava, as bolsas de valores subiam mais de 2% no Brasil e em Nova York e o dólar caía 1% em relação a uma cesta com outras seis importantes moedas --euro, libra, iene, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.

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