SÃO PAULO - Depois de dois dias de leve ajuste de alta, os vendedores voltaram a atuar com força no mercado de câmbio local e levaram o dólar a fazer nova mínima para o ano

. Na verdade, o preço de fechamento desta sexta-feira é o menor de 2 de setembro de 2008. A moeda chegou a operar em alta e foi a R$ 1,693 na máxima, mas as vendas se acentuaram no período da tarde e o dólar comercial terminou o dia com baixa de 1,12%, a R$ 1,667 na venda. Na semana, a moeda caiu 0,83%, e já está 1,48% mais barata agora em outubro. O giro estimado para o interbancário somou US$ 2,7 bilhões, maior que o US$ 1,8 bilhão da quinta-feira. Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dólar perdeu 1,07%, a R$ 1,6662. O volume subiu de US$ 87,75 milhões para US$ 142,75 milhões. No mercado futuro, o dólar com vencimento novembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), caiu 0,71%, a R$ 1,6765, antes do ajuste final de posições. Na avaliação do analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, apesar de atuar de forma correta, o Banco Central (BC) está "enxugando gelo" ao tentar conter a valorização do real. "O dólar segue muito ofertado no mundo todo. Os Estados Unidos não param de imprimir dinheiro", lembra Paiva, destacando que tamanha liquidez vem buscar rendimento no mercado brasileiro, seja via fluxo direto para ações e renda fixa, seja via operações com derivativos em outras praças de negociação ao redor do mundo. E essa expectativa de que mais moeda americana pode entrar em circulação ganha força após cada indicador negativo sobre a economia dos EUA. Hoje, o Departamento de Trabalho dos EUA mostrou que a economia perdeu 95 mil postos de trabalho em setembro, resultando bem pior do que o esperado. O contrapondo ao índice cheio foi o bom desempenho do setor privado, que teria criado 64 mil postos no mês passado. A taxa de desemprego, no entanto, permaneceu em 9,6%. Ainda de acordo com o Paiva, as medidas anunciadas até o momento, como alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e regras para impedir que o estrangeiro burle a cobrança do imposto, não conseguem frear completamente a valorização do real. "Essas medidas, junto com as compras do BC, diminuem a intensidade da queda, mas não impedem a valorização do real." No câmbio externo, o pregão foi instável, mas o euro vai garantindo pregão de alta ante o dólar, negociado na casa de US$ 1,39. Já o Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, perdeu 0,17%, a 77,26. (Eduardo Campos | Valor)

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