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Contratos da BM&F apontavam taxa de 10,69% para outubro e 10,75% para janeiro de 2011

Os contratos de juros futuros longos registraram forte movimento de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), mostrando interesse dos investidores em garantir rendimento prefixado, pois acreditam em juros menores no futuro. Quem dá respaldo a essas apostas é próprio presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que em discurso feito hoje, disse que o Brasil está em um ciclo virtuoso de menor risco de inflação e que a taxa Selic vai convergir para "padrões internacionais" nos próximos anos.

Para o economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, o recado de Meirelles foi claro: não devemos ter mais altas de juros agora em 2010, ou seja, a Selic fica em 10,75%. Outra indicação que se extrai do discurso, segundo o especialista, é que a probabilidade de os juros permanecerem estáveis em 2011 sobe de 30% para cerca de 50%.

No entanto, pondera Oliveira, não será surpresa se o mercado começar a trabalhar com queda de juros no ano que vem. Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 apontava baixa de 0,01 ponto, a 10,63%. Outubro de 2010 devolvia 0,03 ponto, a 10,69%. E janeiro de 2011 recuava 0,02 ponto, a 10,75%.

Entre os longos o ajuste foi mais acentuado, janeiro de 2012, o mais líquido do dia, caía 0,15 ponto, a 11,33%, nova mínima para o ano. Janeiro de 2013 apontava baixa de 0,19 ponto, a 11,48%. E janeiro 2014 devolvia 0,21 ponto, também a 11,48%. Até as 16h10, foram negociados 1.514.620 contratos, equivalentes a R$ 133,32 bilhões (US$ 75,25 bilhões), alta de 35% sobre o registrado na sexta-feira.O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 491.855 contratos, equivalentes a R$ 42,49 bilhões (US$ 23,98 bilhões).

Ainda de acordo com Oliveira, a leitura da ata e essas recentes declarações de Meirelles aumentaram a chance de fim de ciclo de alta de juros. Olhando agora 2011, o especialista acredita que a condução da política monetária estará muito dependente da cena externa. Segundo o economista, o quadro externo sugere que os ventos deflacionários podem se prolongar por um tempo maior.

Oliveira lembra que a economia americana mostra uma fraqueza maior do que se imagina, ainda mais depois de tanto estímulo fiscal e monetário. O que sugere juros internacionais baixos por um longo período de tempo. "Pode ser uma oportunidade para o Brasil reduzir os juros reais", diz o especialista.

A essa conjuntura externa, soma-se a maior eficácia da política monetária no país, ou seja, se obtém o mesmo efeito sobre inflação e demanda com um aumento menor na taxa básica de juros. Ainda de acordo com Oliveira, pensar em queda de juros já em 2011 seria um pouco prematuro, afinal a tomada de decisão estará muito dependente das condições internacionais.

Fora isso, não se pode esquecer que o Brasil vai continuar crescendo, mesmo que com menos força, o que pode gerar alguma pressão de preços sobre os bens não transacionáveis, como serviços. "Dado isso é um pouco prematuro trabalhar com cenário de queda de juros", concluiu.

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