SÃO PAULO - A reação à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) foi dividida. Há argumentos no documento para sustentar a aposta de que o ciclo de alta já chegou ao fim ou que mais uma alta, de 0,5 ponto ou 0,25 ponto percentual, poderá ser implementada em setembro.

SÃO PAULO - A reação à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) foi dividida. Há argumentos no documento para sustentar a aposta de que o ciclo de alta já chegou ao fim ou que mais uma alta, de 0,5 ponto ou 0,25 ponto percentual, poderá ser implementada em setembro. O mercado de juros futuros captou essa indefinição e teve um pregão instável nesta quinta-feira. Com isso, a curva fecha sem rumo definido. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 caía 0,04 ponto, a 11,52%, depois de subir 11,58%. Janeiro de 2013 apontava estabilidade a 11,96%. E janeiro 2014 acumulava 0,01 ponto, a 12,01%. Entre os curtos, agosto de 2010 registrava alta de 0,03 ponto, a 10,63%. Outubro de 2010 mostrava estabilidade a 10,72%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, mostrava queda de 0,01 ponto, a 10,82%. Até as 16h10, foram negociados 1.212.655 contratos, equivalentes a R$ 108,77 bilhões (US$ 61,62 bilhões), uma alta de 36% sobre o registrado ontem. O vencimento de janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 385.950 contratos, equivalentes a R$ 36,93 bilhões (US$ 20,92 bilhões). Para o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, a ata sugere que o Banco Central está preparando o terreno para encerrar o ciclo em setembro, ou seja, deixa a Selic em 10,75% e comunicar o final do ciclo. No entanto, o que mais chamou a atenção do especialista, é a argumentação utilizada pelo BC para justificar a redução de ritmo de alta de 0,75 ponto para 0,5 ponto no encontro desse mês. Para Machado, as justificativas utilizadas, como menor crescimento doméstico e contribuição deflacionária do cenário externo, ainda carecem de confirmação, ou seja, o BC tomou a decisão em cima de hipóteses e não com base em fatos. "A autoridade monetária tem que ser conservadora por definição. E essa é uma postura que foge do padrão do BC. Ele partiu para uma premissa de acreditar em fatores que não estão consubstanciados. O BC tem que trabalhar com fatos", explica Machado. Para o economista-chefe Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, o Copom fez uma avaliação técnica de cenário e ele mostrou esse viés de influência deflacionária do cenário externo e menor crescimento da economia global. "Será que o BC está olhando mais para fatores externos do que para pontos domésticos? Pela ata parece que esse comitê pesa um pouco mais a cena externa. Mas isso não quer dizer que seja errado", pondera o especialista. Ainda de acordo com Oliveira, os indicadores recém-divulgados e o que os estão para sair até o dia 1º de setembro, data da próxima reunião, devem continuar apontando para um crescimento não tão forte da demanda doméstica. Já os números de inflação devem seguir comportados, segundo o economista, e parte desse bom comportamento já poderia ser atribuído aos ventos deflacionários que vem do mercado externo. Outro ponto levantando pelo especialista, é que no Relatório de Inflação, o BC dedicou uma parte a comentar o aumento da eficiência da política monetária. O ponto, segundo Oliveira, é que talvez um aumento de 0,25 ponto percentual não seja desprezível, ou seja, a economia reage da mesma forma com uma dose menor de aperto. "Podemos testar, agora, movimentos menores de juros", pondera o especialista, que acredita em um ajuste final de 0,25 ponto em setembro. De volta à ata, o economista chama atenção ao parágrafo 16, no qual o BC comenta sobre a convergência da inflação à meta em 2012, algo inédito para documentos oficiais do BC nesta época do ano. Oliveira vê um "recado" nesse tipo de comentário. Ainda que o cumprimento da meta corresponde ao ano calendário, o BC, dado ao grau de liberdade do regime de metas, já pode olhar para prazos mais longos. O raciocínio aqui poderia ser o seguinte: a convergência da inflação se dará ao longo de 2011 e a inflação está no centro da meta em 2012. Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 7,2 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) levantando R$ 5,88 bilhões. Também foram colocadas 2 milhões de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 1,86 bilhão. (Eduardo Campos | Valor)

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