SÃO PAULO - O pregão de quinta-feira foi de forte instabilidade no mercado de juros futuros. Depois de cair de forma acentuada durante a maior parte do pregão, os contratos mudaram o rumo e fecharam, novamente, apontando para cima.

Tal volatilidade tem cara de movimentação técnica, já que não saíram e não se esperam novos números sobre atividade e inflação na economia local. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, ganhava 0,04 ponto, a 11,35%, depois de cair a 11,19%. Janeiro de 2013 também subia 0,04 ponto, 11,44%. Janeiro 2014 avançava 0,04 ponto, 11,34%. Entre os curtos, setembro de 2010 cedeu 0,03 ponto, a 10,61%. Outubro de 2010 apontava estabilidade a 10,66%. E janeiro de 2011 projetava 10,69%, sem alteração. Até as 16h10, foram negociados 1.089.270 contratos, equivalentes a R$ 94,26 bilhões (US$ 53,35 bilhões), queda de 23% sobre o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 272.460 contratos, equivalentes a R$ 23,59 bilhões (US$ 13,35 bilhões). Deixando o intradia de fora, o gestor da Global Equity, Octávio Vaz, aponta que o preço atual da curva futura sugere que o mercado compra um cenário de crescimento anêmico nos Estados Unidos, com juro zero por lá durante todo o ano de 2011. O reflexo disso por aqui é menor pressão sobre preços e, em parte, sobre atividade em alguns setores. Ainda de acordo com Vaz, considerando esse quadro externo e Selic nos atuais 10,75%, a inflação de 2011 ficaria orbitando entre 4,6% e 4,8%. Então, se o Banco Central desejar levar a inflação para o centro da meta de 4,5%, teria que apertar mais os juros. No entanto, pondera o gestor, essa não parecer ser uma alternativa muito valida justamente em função desse risco de degradação da cena externa. Parte dessa queda recentes dos prêmios na curva futura se explica pelas razões acima. Outra fatia do movimento, diz Vaz, decorre da arbitragem de taxa de juros. Com a certeza de juros baixos nos EUA e Europa, nada mais justo que buscar rendimento em outros mercados. E é isso que o Brasil oferece. A pergunta que fica, de acordo com o gestor, é até onde isso vai. O risco aqui é de alguma reversão de percepção que resulte em virada de mão no mercado de juros. Ou seja, os aplicadores externos querendo seu dinheiro de volta para voltar para casa. Na gesta da dívida pública, o Tesouro vendeu todas as 3,8 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) que ofertou, levantando R$ 3,15 bilhões. Ainda foram colocadas 1,5 milhão de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 1,45 bilhão. (Eduardo Campos | Valor)

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