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SÃO PAULO - Depois de uma sessão indefinida, os contratos de juros futuros passaram por acentuado ajuste de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), sinalizando um aumento nas apostas de que o Banco Central chegou mesmo ao fim do ciclo de aperto monetário. Tal comportamento da curva também sugere menor preocupação dos agentes com inflação e crescimento em horizontes mais dilatados.

SÃO PAULO - Depois de uma sessão indefinida, os contratos de juros futuros passaram por acentuado ajuste de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), sinalizando um aumento nas apostas de que o Banco Central chegou mesmo ao fim do ciclo de aperto monetário. Tal comportamento da curva também sugere menor preocupação dos agentes com inflação e crescimento em horizontes mais dilatados. Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 caía 0,05 ponto, a 11,46%. Janeiro de 2013 apontava baixa de 0,09 ponto, a 11,85%. E janeiro 2014 recuava 0,10 ponto, a 11,87%. Entre os curtos, agosto de 2010 registrava alta de 0,01 ponto, a 10,64%. Outubro de 2010 mostrava estabilidade a 10,70%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, mostrava queda de 0,02 ponto, a 10,78%. Até as 16h10, foram negociados 1.273.420 contratos, equivalentes a R$ 114,06 bilhões (US$ 64,65 bilhões), em linha como registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 434.710 contratos, equivalentes a R$ 41,62 bilhões (US$ 23,59 bilhões). Para o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, o que a curva mostra é que o mercado comprou a ideia de uma atividade muito fraca no mercado local. Segundo o especialista, parte do mercado enxerga, na ata, que o BC se justificou de mais na redução do ritmo de alta na Selic, e enxerga que já teria espaço para o BC ter parado de subir a Selic no encontro de junho. "Não concordo muito com tal visão, mas não há como ir contra o mercado. O fato é que os grandes agentes são doadores e empurram as taxas para baixo", pondera o estrategista. Na visão de Nepomuceno, o mercado está muito pautado por dados correntes. O risco é que tanto a inflação quanto a atividade ainda podem ressurgir mais fortes no último trimestre, o que poderia promover um repique de alta nos contratos futuros. "Ainda acho prematuro interpretar que em 2011 continuaremos praticamente sem mudança na taxa de juros", avalia. Olhando para a agenda da próxima semana, o destaque fica por conta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que sai na sexta-feira. Antes disso, os agentes recebem a produção industrial de junho, na terça-feira, e o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de julho, na quinta-feira. (Eduardo Campos | Valor)

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