Juros para janeiro de 2012 subiam 0,03 ponto percentual, para 11,36%, enquanto os contratos para janeiro de 2013 apontavam 11,36%

Um desempenho mais forte que o esperado da economia brasileira no segundo trimestre do ano está levando a um aumento dos prêmios de risco na ponta mais longa da curva de juros futuros. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), há pouco, o Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2012 subia 0,03 ponto percentual, para 11,36%, enquanto o DI com vencimento em janeiro de 2013 avançava 0,04 ponto, a 11,62%, e o DI do início de 2014 tinha alta de 0,01 ponto, a 11,55%.

Na ponta mais curta da curva, o DI de janeiro de 2011 mantinha taxa de 10,67%, assim como o contrato de outubro de 2010 preservava o patamar de 10,638%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia expandiu-se 1,2% entre abril e junho deste ano, em comparação aos três meses anteriores, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,7%. Em relação ao segundo trimestre de 2009, houve crescimento de 8,8%.

Apesar da desaceleração, a expansão do PIB foi maior que o previsto pelo mercado, o que estimula a perspectiva de nova elevação da taxa Selic no próximo ano. "De fato, estamos acima da tendência histórica, o que sugere que a demanda doméstica está em franca expansão. Este movimento é natural e um forte incentivo ao crescimento econômico no país, no entanto destoa do discurso do Banco Central apresentado em comunicado nesta semana, quando o Copom optou pela manutenção [da Selic, em 10,75% ao ano]. Fatalmente teremos algum tipo de correção na curva, com as pontas mais longas subindo na expectativa que a próxima diretoria do BC terá que subir os juros para segurar a inflação", comentou o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, em relatório enviado a clientes. Já o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que a economia brasileira "se desloca para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo". "A taxa de crescimento de 1,2%, que reflete em grande parte o efeito de carregamento do forte índice do período anterior, se posicionou ligeiramente abaixo da variação do IBC-Br (1,3%)", disse Meirelles, em comunicado. O IBC-Br é o índice de atividade econômica do Banco Central. A expectativa da autoridade monetária é de que, no acumulado do ano, a taxa de crescimento da economia alcance 7,3%. (Beatriz Cutait | Valor)

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