Dilma: ajuste fiscal não evita dólar cair por problema global

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu nesta quarta-feira o aumento do IOF para "conter especulações" no mercado de câmbio e avaliou que um eventual ajuste fiscal não resolveria o problema da queda do dólar enquanto a moeda norte-americana perde valor em todo o mundo.

"Acho que o IOF sempre foi uma das medidas também para impedir mais a especulação do que qualquer outra coisa, inibir a especulação", disse a jornalistas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A candidata afirmou que um ajuste fiscal não teria efeito de evitar a baixa do dólar. "A questão do câmbio diz respeito, no caso dos Estados Unidos e dos países desenvolvidos, ao fato de eles ainda estarem numa crise profunda", afirmou.

Nesta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que um aperto fiscal seria mais eficaz que medidas de controle de capital .

"Essa crise profunda não vai ser resolvida por ajuste fiscal (em países como o Brasil)... O que nós vamos ter de fazer é aumentar a competitividade da indústria brasileira, tanto através de uma reforma tributária quanto através de um processo de melhoria do endividamento público."

Ao reduzir a dívida, acrescentou a candidata, o país teria condições de viver com juros menores, o que desestimularia a entrada de dólares.

O dólar tem sido cotado nos menores níveis desde 2008, abaixo de 1,70 real. Para tentar frear a valorização da moeda brasileira, o governo ampliou o Imposto sobre Operações Financeiras sobre aplicações estrangeiras em renda fixa.

Oministro da Fazenda, Guido Mantega, tem reclamado de uma "guerra cambial", com economias avançadas mantendo suas moedas mais fracas para ganhar competitividade comercial.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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