Google, Apple e Avon estão entre as companhias que passam a ter papéis negociados na bolsa brasileira

Ações de dez grandes empresas norte-americanas, entre elas Google, Apple, Avon e Walmart, serão negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a partir desta terça-feira. Assim, investidores brasileiros podem ter participação nas companhias listadas nas bolsas dos EUA por meio dos novos papéis, que são os chamados Brazilian Depositary Receipts (BDRs).

Os BDRs não são exatamente ações, mas sim certificados de ações de empresas listadas em bolsas fora do País. No caso dos papéis que começam a ser negociados na bolsa brasileira nesta terça, são BDRs Nível I Não Patrocinados, o que significa que as empresas não se envolvem com o lançamento dos certificados, o que será de total responsabilidade do banco depositário, o Deustche Bank.

Bernardo Parnes, presidente do Deutsche Bank Brasil, à esquerda, e Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa, à direita, participam de cerimônia de estreia dos BDRs
Divulgação
Bernardo Parnes, presidente do Deutsche Bank Brasil, à esquerda, e Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa, à direita, participam de cerimônia de estreia dos BDRs
Como "representante" das dez empresas, que formam o primeiro grupo de BDRs Não Patrocinados negociados no Brasil, o banco alemão será encarregado de divulgar as informações sobre cada uma das companhias ao investidor local.

O investidor pessoa física não poderá adquirir os BDRs diretamente. Para ter a participação nas companhias, terá que procurar uma instituição financeira, um fundo de investimentos ou administradores de carteira. Segundo a CVM, a decisão de não liberar a compra a pessoas físicas foi tomada para a proteção do próprio investidor, já que as empresas de fora não precisam seguir as regras do mercado local. Consultores de valores mobiliários autorizados pela comissão também poderão comprar os papéis.

O início da negociação dos papéis será marcado por uma cerimônia na BM&FBovespa, em São Paulo e terá a participação de Bernardo Parnes, presidente do Deutsche Bank Brasil, Dirk Reinicke, diretor regional para Américas da Área de Serviços para o Mercado de Capitais e diretor de Produtos de Ativos Não Patrocinados do banco alemão, e de Edemir Pinto, diretor presidente da BM&FBovespa.

Dez empresas

Para a escolha das dez companhias, o banco alemão priorizou a "diversificação do portfólio por segmento de atuação das empresas", segundo Ricardo Nascimento, diretor Executivo da Área de Serviços para o Mercado de Capitais dos Deutsche Bank Brasil.

"As companhias foram definidas após uma pesquisa com os gestores do mercado e o cruzamento com o programa já existente nos outros países onde o Deutsche Bank atua com esse tipo de investimento, como México, Argentina e Chile", afirma Nascimento.

Estão disponíveis recibos de ações estrangeiras das seguintes companhias internacionais:

1. Google
2. McDonald’s
3. Apple
4. Bank of America
5. Walmart
6. Arcelor Mital
7. Avon
8. Exxon Mobil
9. Goldman Sachs
10. Pfizer

Como funciona a negociação

As ações das companhias nas bolsas de Nova York (NYSE) ou Nasdaq servem de lastro para os BDRs. Para evitar dupla contagem, elas são bloqueadas em seu mercado de origem. Por exemplo: uma empresa tem mil ações negociadas na NYSE e, destas, 100 serão destinadas a "virar" BDR. Estas 100 ações são bloqueadas (pois passam a ser transacionadas como BDR no Brasil) e restarão 900 disponíveis no mercado de origem.

Assim, as ações são compradas na bolsa americana em que são listadas e "convertidas" em BDRs que são negociados aqui. A emissão e registro dos BDRs na bolsa brasileira são de responsabilidade do Deustche Bank.

(Com AE)

    Leia tudo sobre: Bovespa
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.