A negociação de certificados de ações estrangeiras (BDRs, na sigla em inglês) no mercado brasileiro deve superar, ao longo do tempo, os volumes registrados em outras bolsas, como a mexicana e a argentina

selo

A negociação de certificados de ações estrangeiras (BDRs, na sigla em inglês) no mercado brasileiro deve superar, ao longo do tempo, os volumes registrados em outras bolsas, como a mexicana e a argentina. A expectativa é de Bernardo Parnes, presidente do Deutsche Bank Brasil, instituição responsável por trazer ao País os primeiros dez BDRs nível 1 não patrocinados, que começaram a ser negociados hoje na BM&FBovespa. No México, existem hoje 583 companhias estrangeiras negociadas em bolsa, com uma negociação que representa cerca de 15% do volume total. Na Argentina, os quase 200 papéis de empresas estrangeiras respondem por 18% do giro da bolsa de Buenos Aires, de acordo com o Deutsche. O executivo pondera que a experiência desses países não é diretamente comparável com a brasileira, mas dá uma dimensão do potencial desse produto. Parnes destacou o momento positivo e dos esforços do Deutsche em ampliar a presença no País. "O Brasil não pode ser mais considerado uma economia emergente, o País hoje se enquadra em uma outra categoria", afirmou, ao destacar que a instituição pretende ampliar a quantidade de BDRs no mercado brasileiro, caso vença as próximas concorrências que serão realizadas pela bolsa. Para o diretor regional para Américas da ¿?rea de Serviços para o Mercado de Capitais do Deutsche Bank, Dirk Reinicke, é possível que, em um primeiro momento, por conta das poucas opções disponíveis no mercado, os BDRs tenham uma liquidez menor. "Esperamos que, à medida que o número de opções aumente e haja uma maior possibilidade de diversificação, o volume de negócios no Brasil cresça e supere as experiências anteriores." A quantidade de BDRs não patrocinados que podem vir a ser negociados no Brasil dependerá da demanda dos investidores, mas pode chegar a até 100 papéis no final do ano que vem, segundo a diretora-executiva de produtos da BM&FBovespa, Marta Alves. Mais cedo, o presidente da bolsa, Edemir Pinto, falou em ter no País pelo menos 80 BDRs até o final de 2011. Para promover a liquidez dos papéis, a corretora Indusval atuará como formadora de mercado dos BDRs das dez companhias que estrearam hoje: Apple, Google, Bank of America, Arcelor Mittal, Goldman Sachs, Avon, Wal Mart, Exxon Mobil, McDonald's e Pfizer. Todas elas são, originalmente, listadas em bolsas norte-americanas. Os BDRs nível 1 não podem ser negociados diretamente por pessoas físicas. A expectativa da bolsa é de que ainda este ano outros dez BDRs sejam colocados em negociação no mercado brasileiro. Após o Deutsche ter sido escolhido para emitir os primeiros papéis por ter colaborado no desenvolvimento do produto, o Citibank venceu a concorrência realizada pela bolsa e será a instituição responsável pela emissão dos próximo lote de BDRs. O banco também ficará a cargo de escolher as companhias estrangeiras que passarão a ser representadas por BDRs na BM&FBovespa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.