Leia novamente o seu currículo

Leia novamente o seu currículo. E pergunte-se qual é a "mensagem" que suas experiências passariam a um recrutador. Qualidades antes valorizadas no mercado de trabalho - como a lealdade ao empregador - deixaram de ser prioridade na hora da contratação. Atualmente, vale mais a variedade de experiências, que pode ser acumulada em diferentes cargos em uma mesma empresa ou em companhias diversas. Segundo especialistas, porém, quem já passou por pelo menos alguns ambientes corporativos leva vantagem. Para Jaqueline Weigel, profissional da área de coaching, o trabalhador não pode ficar "preso à zona de conforto". Segundo ela, um currículo que reúne experiências em diversas companhias mostra capacidade de adaptação a novos cenários e ambientes. "O que pega bem é mostrar capacidade de aprender", afirma a especialista. Para Jaqueline, ficar alheio a experiências e pensar só em "segurança" pode ser um "tiro no pé". A diretora de divisão de executivos da consultoria DMRH, Sandra Finardi, afirma que o profissional deve pensar sempre nos desafios do atual trabalho. "Se a pessoa está há muitos anos na mesma função, com os mesmos desafios, é a hora de buscar algo novo", explica. Para Sandra, é importante que as pessoas reflitam sobre seus rumos profissionais a cada dois anos. "Nesse período, é possível chegar a uma função, fazer o trabalho e colher os resultados." Papel na empresa. Segundo a diretora da DMRH, é importante que o profissional se policie ao escolher ficar em uma empresa por muitos anos. Sandra diz que o profissional precisa estar sempre ciente de seu exato papel na empresa. Além disso, é necessário não perder de vista a necessidade de promoções periódicas, sejam elas laterais (reajuste de salário) ou de cargo. "Quando bato o olho em um currículo de uma pessoa que está 16 anos na mesma empresa, sempre me pergunto: por que ela não estava aberta a sair antes? Será que ela está disposta a deixar para trás a segurança que tem?" Hora certa. Depois de 15 anos na empresa de bebidas AmBev, Edvaldo Souza sentia que já sabia bem vender refrigerantes e cervejas. Em uma década e meia, aprendeu a fiscalizar os distribuidores e a atender todos os tipos de clientes, de bares a grandes redes de supermercados. Depois de receber uma oferta da construtora Gafisa, que tentava reestruturar a sua área de vendas, Souza resolveu encarar o novo desafio. O projeto da construtora, porém, durou só um ano - foi interrompido pela crise. Em 2009, Souza viu-se obrigado a mudar novamente: o novo emprego era numa empresa industrial de origem familiar, a Ledervin. Como diretor comercial, trocou as garrafas de cerveja pelo gerenciamento de uma estrutura complexa, que inclui a fabricação de revestimentos sintéticos para o setor de moda, de toldos de alta resistência para caminhões e de fios de poliéster. "A relação com o cliente é muito diferente. Estou tentando construir um relacionamento com os clientes, fazendo visitas mais frequentes." Embora trabalhe com o mesmo objetivo final que tinha na AmBev - ou seja, vender -, Edvaldo Souza diz que o trabalho é mais difícil, pois o produto "é mais abstrato". "Não é preciso explicar para ninguém o que é Pepsi ou guaraná. Agora, eu tenho de conhecer tecnicamente o produto, conhecer suas especificidades", diz Souza. "Antes, vendia com base na relação preço e promoção. Os aspectos técnicos não contavam."

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