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Corrida de mensageiros, cigarro no pregão, caneta Parker espirrando tinta. Confira cenas engraçadas e inesquecíveis

“Uma corretora colocou um anúncio no jornal para contratar boys para levar os boletos de negócios fechados. Apareceram 40 garotos. O chefe, então, decidiu fazer um teste: os três primeiros que descessem ao térreo e voltassem ganhariam as vagas.” Airton Meira, operador durante 20 anos até 1985 no pregão viva-voz, sobre a necessidade de rapidez dos funcionários de Bolsa

Antonio Stigliani, que operou no extinto pregão viva-voz da Bovespa: tinta preta para todos os lados
Tricia Vieira/FOTOARENA
Antonio Stigliani, que operou no extinto pregão viva-voz da Bovespa: tinta preta para todos os lados
“Até hoje eu sonho que estou indo para o pregão. Quando chego lá, a sala está vazia.” Airton Meira

“As pessoas fumavam no pregão. Um abaixo-assinado para banir o fumo foi deixado no balcão na lanchonete... e desapareceu!” Airton Meira

“Sempre usei caneta Parker tinteiro. Um dia, fechei um negócio e balancei a mão com a caneta várias vezes gritando: fechado! Pintei todos os colegas de preto.” Antonio Stigliani, que começou a operar com ações em 1954

Crash de 1970

“Um cliente chamado Kalil, em julho de 1971, vendeu um carro da marca Dodge Charge RT do ano, e deixou o dinheiro aplicado em Banco do Brasil. Suas instruções para o operador eram de que, em hipótese alguma, fossem vendidas, sob qualquer pretexto. Deveria aguardar sua volta de uma viagem a Beirute, no Líbano, e aí sim, com o lucro auferido, compraria um Mercedes Benz. A crise aconteceu enquanto ele viajava. Quando o senhor Kalil voltou de sua viagem, comprou um novo par de sapatos no lugar da tão esperada Mercedes.” Wagner Salviano de Paula, que operou para grandes investidores, como Naji Nahas

"Em agosto daquele 1971, a euforia acabou, as ações começaram a despencar, primeiro do Banco Brasil, depois Vale, e assim por diante. Às 11h30, ouvi um barulhinho no vidro do aquário do pregão, e vi a figura do senhor João Jabour, batendo com seu grosso anel de ouro, chamando seu operador, e fazendo gestos característicos de venda. Esse senhor detinha cerca de 3% do capital do Banco do Brasil. Nesse dia, sem que tivéssemos percebido, começava o maior crash da nossa Bolsa.” Wagner Salviano de Paula

“A situação foi tão dramática que na época decidiu-se implementar o limite de baixa, o circuit breaker atual. Quando as cotações atingissem 10% de baixa, os negócios eram interrompidos. Para se ter uma ideia, durante quatro ou cinco dias o mercado já abria em limite de baixa. O pregão chegou a durar apenas 30 minutos.” Wagner Salviano de Paula

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