A concessão de empréstimos às empresas está se recuperando em um ritmo gradual, diz Serasa

O ritmo de concessões reais de crédito com recursos livres às empresas vem se recuperando em um ritmo gradual, mas somente deve retornar ao equilíbrio no final do ano, revelou uma pesquisa da Serasa Experian. O indicador que antevê o cenário para o financiamento às empresas num horizonte de seis meses ficou praticamente estável em fevereiro, com uma pequena variação de 0,02% contra janeiro, atingindo 97,5 pontos.

O patamar de equilíbrio, na metodologia da Serasa, é indicado pelo nível 100. Este é o quarto mês consecutivo de estabilidade, após oito meses de crescimento. Para os economistas da Serasa, um dos motivos do resultado foi o crescimento do crédito com recursos direcionados, em detrimento do financiamento com recursos livres.

"O crescimento da participação dos bancos públicos no mercado de crédito e a recuperação dos investimentos produtivos a partir do segundo semestre de 2009 contribuíram para o avanço das operações de crédito com recursos direcionados às pessoas jurídicas, em detrimento das operações com recursos livres", disse a Serasa, em nota. Por outro lado, o indicador referente às concessões de crédito ao consumidor permanece acima do patamar de equilíbrio, aos 103,8 pontos.

Vale notar, porém, que em fevereiro houve queda de 0,4%, na comparação com o primeiro mês do ano. Isso indica que as concessões de crédito com recursos livres às pessoas físicas devem desacelerar a partir deste segundo trimestre, mas de forma gradual. O crescimento mais moderado do financiamento ao consumidor foi motivado pela retirada dos estímulos fiscais às aquisições de eletroeletrônicos, móveis e veículos; pelo aumento do volume de recolhimentos compulsórios sobre os depósitos à vista e a prazo; e pelas perspectivas para o início do ciclo de aperto monetário (alta dos juros) a partir de abril, segundo a Serasa.

"Além disso, os prognósticos bastante favoráveis para o crédito imobiliário em 2010, financiado preponderantemente com recursos direcionados (poupança, FTGS), também constitui um fator de desaceleração do crédito com recursos livres, utilizados basicamente para consumo", completou a instituição de pesquisa.

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