Quase dois anos depois da pior crise nos bancos em 70 anos, as instituições financeiras voltam a abrir seus cofres e emprestar

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Quase dois anos depois da pior crise nos bancos em 70 anos, as instituições financeiras voltam a abrir seus cofres e emprestar. Dados divulgados ontem pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) indicam que, pela primeira vez desde setembro de 2008, os créditos de bancos ao setor produtivo e a outros bancos voltaram a crescer. Entre janeiro e março, a expansão de créditos no mundo foi de US$ 700 bilhões, a primeira alta em 18 meses. Os dados foram divulgados praticamente às vésperas do anúncio do teste de estresse de 91 bancos europeus. Amanhã, as autoridades europeias apontarão quais bancos estão prontos para enfrentar uma eventual nova crise e quais deles quebrariam. A partir do resultado do teste, bancos serão aconselhados a incrementar sua capitalização e regular empréstimos. Risco. Se a notícia do fluxo de créditos é considerada como um dos melhores indicadores em meses de que a confiança e o apetite ao risco entre os investidores estão voltando, ela também é alvo de sérias preocupações e um alerta de que as instituições querem voltar a operar como antes, e sob as mesmas regras. Bancos voltam a expandir créditos e promover um início de boom de empréstimos sem ter feito a reforma interna necessária. As leis praticamente continuam as mesmas e não há novos limites para essa expansão. O risco de uma nova bolha, portanto, não está descartado em alguns países como a China. Os BCs de todo o mundo querem uma reforma e a criação de um fundo de emergência em cada banco, o que evitaria que, em épocas de crise, falte liquidez e possam saldar suas dívidas. A proposta dos reguladores prevê que, em época de expansão do crédito, bancos sejam obrigados a construir um "colchão" de proteção. Mas as instituições resistem e o G-20 precisará tomar uma decisão em novembro. A queda do Lehman Brothers, em 2008, fez com que bancos de todo o mundo segurassem seus empréstimos. Empresas que deixaram de ter acesso a financiamento, promoveram demissões em massa e muitas delas quebraram, provocando a maior recessão mundial em sete décadas. A seca de créditos significou uma redução de quase US$ 3,4 trilhões do mercado. Governos não hesitaram em injetar trilhões de dólares para garantir a liquidez do sistema e salvar bancos. Mas, por meses, as instituições financeiras simplesmente acumularam reservas e mantiveram seus cofres fechados. Depois de sofrer uma contração de US$ 532 bilhões nos últimos três meses de 2009, os empréstimos feito por bancos finalmente aumentaram em US$ 700 bilhões entre janeiro e março deste ano. A alta é de apenas 2%, contra uma contração acumulada de 11% dos empréstimos no mundo desde setembro de 2008.

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