Para analistas, Cielo e Redecard terão fatia menor de um bolo em crescimento

A queda nas taxas de administração cobradas pelas credenciadoras de cartões é um caminho sem volta, dizem analistas. Mas isso não significa diminuição de receitas. Cielo e Redecard, por exemplo, devem perder participação de mercado e ter aumento de custos, mas as perspectivas de crescimento da economia brasileira e do mercado de crédito vão garantir faturamentos cada vez maiores.

Cielo

Evolução da receita de cartão de crédito (R$ milhões)

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Cielo e Link Investimentos

Os especialistas admitem ter uma visão menos otimista em relação ao desempenho das empresas nesse novo cenário de fim da exclusividade. Mas parte do impacto deve ser compensada pelo alto crescimento do setor nos próximos anos, ou seja, as empresas terão uma fatia menor, mas o bolo será maior. Nessa conta, entram expectativas de continuidade da substituição do cheque e da moeda pelos cartões, redução da economia informal, maior penetração dos serviços bancários e aumento do consumo.

Em relatório recente, a Itaú Corretora projeta que a penetração do crédito no consumo pessoal passe de 14,7% este ano para 24% em 2020. Nesse cenário, a Cielo deve perder fatia de mercado, de 52% em cartões de crédito atualmente para 44% em dez anos. Mas a receita, projetada até 2014, deve crescer de R$ 4,3 bilhões para R$ 5,1 bilhões, um aumento de 20%. A corretora não acompanha Redecard.

Já a Link Investimentos mostra que as parceiras anunciadas por Cielo e Redecard darão, a cada uma, ganho de espaço sobre a outra. Será um jogo de xadrez, com apostas regionais e em nichos. Cielo, por exemplo, tende a crescer no Sul e no Centro Oeste do País, após acordo com o HSBC, que tem forte operação nessas regiões. Redecard amplia atuação no Nordeste e também luta pelo Sul, após parceria com a Hipercard.

Redecard

Evolução da receita de cartão de crédito (R$ milhões)

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Redecard e Link Investimentos

A analista Mariana Taddeo lembra que, por ter maior participação de mercado, a Cielo está mais bem posicionada e mostrou, no segundo trimestre do ano, um balanço operacional melhor. Redecard, no entanto, fez um esforço maior na corrida por parceiras, e isso se refletiu em aumento de custos. Mas a companhia deve abocanhar, por sua vez, uma fatia de mercado da Cielo, ao poder transacionar também a bandeira Visa.

“Ambas as companhias vão crescer. As perspectivas são muito positivas para o mercado de crédito nos próximos anos”, complementa Pedro Galdi, chefe de análise da SLW Corretora. “O Produto Interno Bruto está crescendo, com forte expansão de consumo e renda. Não há como esse quadro não se refletir no mercado financeiro.”

Taxas menores e receitas maiores

Em seu relatório, a Link prevê queda na taxa de administração da Cielo em cartões de crédito de 1,49% no ano passado para 1,04% em 2015. Mas a projeção de quantidade de transações cresce ano a ano, de 2 mil para 8 mil, na mesma base de comparação. A receita com cartões de crédito cresce de R$ 2 bilhões para R$ 3,7 bilhões, numa taxa anual de 10,9%.

Para a Redecard, a projeção é de recuo na taxa, de 1,46% para 1,09%. A quantidade de transações sobe de 1 mil para 2 mil. Já a receita com cartões de crédito aumenta de R$ 1,4 bilhão para R$ 2,8 bilhões, numa taxa anual de 12,1%.

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