Corte de juros deve impulsionar Bovespa, segundo analistas

Investidores estrangeiros não consideram alta registrada nos últimos dias uma recuperação sustentada

AE | 31/08/2011 15:26

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Qualquer indicação pelo Banco Central de que um ciclo de redução da taxa básica de juros está próximo deverá alimentar uma forte alta da Bovespa, segundo analistas e investidores estrangeiros.

A subida da Bolsa brasileira nos últimos dias ainda não é considerada uma recuperação sustentada, uma vez que tem sido proporcionada por uma maior demanda por ativos de risco, como ações e commodities, em razão da expectativa de que o Federal Reserve (Fed) manterá uma política de estímulo monetário para resgatar a frágil economia americana.

"As ações brasileiras estão, em grande medida, muito baratas depois da queda observada ao longo deste ano e, se entrarmos num ciclo de cortes da taxa Selic, há um potencial para um 'rali' (alta) poderoso na Bovespa", disse à Agência Estado Greg Lesko, diretor-gerente da Deltec Asset Management em Nova York, que têm US$ 850 milhões em ativos, dos quais quase US$ 200 milhões investidos na Bovespa.

"Os investidores em bolsa são muito sensíveis à taxa de juros e como a Selic ainda está muito elevada a Bovespa acaba tendo uma competição muito difícil com as aplicações de renda fixa pelo dinheiro de mais longo prazo dos investidores."

Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o ciclo de alta de juros em 19 de janeiro deste ano, elevando a taxa básica em 0,50 ponto porcentual, o índice Bovespa fechou naquele dia a 70.058,08 pontos.

Na reunião de 02 de março, quando o Copom aumentou a Selic em mais 0,50 p.p., o Ibovespa caiu para 67.281,51. A Bolsa brasileira seguiu numa trajetória de queda depois de aumentos de 0,25 p.p. em três reuniões consecutivas do Copom, com a taxa Selic atingindo o patamar de 12,50% na reunião de 20 de julho.

Desde o dia 19 de janeiro, quando o Copom iniciou o ciclo de aperto monetário, a Bovespa caiu quase 21% até o fechamento do pregão de ontem, dia 30, quando atingiu 55.385,03 pontos. "Há, de fato, um ambiente internacional mais favorável para ativos de risco com sinais de estímulo à economia dos Estados Unidos pelo Fed, o que favorece ações dos mercados globais.

Contudo, mais importante para o avanço da Bovespa é a antecipação pelos investidores do fim do ciclo de alta dos juros na reunião do Copom hoje", afirmou o vice-presidente para mercados emergentes da MF Global, Michael Roche, baseado em Nova York.

"Mesmo que não haja um corte de juros na reunião do Copom hoje, a Bovespa poderá entrar num período de recuperação se o Banco Central passar a sinalizar um cenário econômico que favoreça o corte da taxa Selic no futuro." Levantamento do AE Projeções com 72 instituições financeiras aponta que há uma expectativa unânime de que o Copom manterá a taxa Selic inalterada em 12,50% hoje.

Para o final do ano, contudo, já cresce o número de apostas para corte dos juros: embora a grande maioria (51 instituições) acredite que a taxa ficará congelada neste patamar até dezembro, economistas de dez instituições financeiras já projetam corte de juros ainda neste ano.

Na opinião da estrategista de ações para mercados emergentes do banco UBS em Nova York, Jennifer Delaney, ainda é muito cedo para atribuir a alta das bolsas de valores mundiais na última semana à recuperação sustentável do apetite por risco pelos investidores internacionais. "Tanto no Brasil quanto nas bolsas dos Estados Unidos e Europa ainda não estamos nos níveis de preço observados no início do verão (do Hemisfério Norte)", explicou Delaney.

"Ainda é preciso mais algum tempo para vermos se os investidores vão ajustar suas expectativas quanto ao crescimento da economia mundial à luz do recente ânimo do mercado acionário, mas, quanto ao Brasil, o fim do ciclo de aperto monetário, a queda na inflação e os preços atrativos das ações são fatores suficientes para fazer a Bovespa ter um desempenho melhor."

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  • Fonte: Thomson Reuters
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