Publicidade
Publicidade - Super banner
Mercados
enhanced by Google
 

Contrato de álcool existe desde 2000

Adicionado à gasolina, álcool anidro não aconteceu como produto e mercado financeiro ficou sem opção de negociação

Nelson Rocco, iG São Paulo |

Há um contrato de álcool anidro em funcionamento na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa), mas ele não tem liquidez, ou seja, não há negócios efetivos. Criado em 2000, esse tipo de contrato teve os últimos poucos negócios realizados em 2007 e 2008. Anidro é o tipo de álcool usado na mistura com a gasolina. Fabiana Perobelli, gerente de produtos do agronegócio da Bolsa, afirma que a expectativa, à época, era que o produto se popularizasse no exterior, o que impulsionaria os negócios no pregão. “Mas o mercado mudou e o contrato não teve a liquidez que se esperava”, afirma.

Divulgação Unica
Mecanização da produção de cana-de-açúcar
À época, os investidores tinham outras perspectivas. “Quando foi criado o contrato de anidro, havia esperava-se que diversos países iriam importá-lo para misturar à gasolina, como o Japão”, diz Carlos Widonsck, diretor para a área de commodities da corretora Souza Barros, que participou da criação do contrato de álcool, como executivo da BM&FBovespa. “Havia uma curva ascendente de demanda e uma perspectiva de internacionalização. Isso não ocorreu.”

O contrato de álcool anidro tem liquidação física. Ou seja, se um agente comprar um caminhão-tanque cheio (a quantidade mínima de um contrato, de 30 metros cúbicos) no mercado futuro, pode correr o risco de ter de estocar o produto. O vendedor, por sua vez, está sob pena de ter de buscar um caminhão de álcool na usina para entregar ao detentor do seu contrato. Os contratos com liquidação financeira não têm essa desvantagem.

Eduardo Leão de Souza, diretor-executivo da Unica, questiona exatamente o entrave que levou o contrato de álcool à paralisia: o formato de liquidação. “O contrato com liquidação financeira tem a vantagem de atrair qualquer investidor, até o especulador ou tomador de risco”, diz. “Por outro lado, quando há liquidação física, têm-se a garantia de que as cotações irão convergir para o preço praticado no mercado físico”, diz.

A possibilidade de liquidação financeira dos contratos futuros de etanol foi aberta pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) no fim do ano passado. Uma portaria da ANP determinava que o combustível somente poderia ser negociado entre produtores e distribuidores. Com a mudança, entraram no segmento novos agentes, os comercializadores, que podem elevar a liquidez do mercado. “Na estrutura anterior, só o produtor assumia riscos”, afirma Souza. A expectativa, agora, é que haja mais participantes. “Se o mercado não é livre, ele não funciona”, diz Widonsck, da Souza Barros.
 

Leia tudo sobre: álcoolcontrato futuroBM&FBovespa

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG