Fatia desses consumidores é pequena, mas está em crescimento; serviços e uso do FGTS em imóveis estão entre novidades do setor

Abac quer conquistar classes de menor renda com novas modalidades de consórcio
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Abac quer conquistar classes de menor renda com novas modalidades de consórcio
O setor de consórcios também quer as classes C e D. Animada pela maior estabilidade da economia, que permite ao consumidor de baixa renda programar melhor seus gastos, a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) quer elevar a fatia dessa população na distribuição de suas vendas.

“Estamos trabalhando para sensibilizar essas classes”, disse Paulo Roberto Rossi, presidente da Abac. Ele conta que as fatias de maior poder aquisitivo ainda dominam os pedidos de compras via consórcios, sobretudo em produtos mais caros. No segmento de imóveis, 90% dos contratos foram fechados por consumidores A e B no ano passado. Em automóveis, os mais ricos também dominam, com 85%. Essa fatia já cai quando o foco são as motocicletas. Nesse caso, a classe C já responde por 55% do total, enquanto que as mais ricas perfazem 45%.

Segundo Rossi, o aumento do interesse da população de baixa renda já foi sentido no primeiro quadrimestre deste ano. De janeiro a abril, o sistema de consórcios registrou uma expansão de 38,5% no volume de negócios realizados, em relação ao mesmo período de 2009. O número pulou de R$ 13,5 bilhões para R$ 18,7 bilhões.

A inexistência de juros, o parcelamento integral do valor do bem desejado e a formação de patrimônio são características dos consórcios que têm atraído a classe C, diz o presidente da Abac. A evolução das compras nessa parcela da população tem sido maior especialmente no consumo de bens duráveis, como a casa própria ou o carro zero.

Serviços e FGTS

Na cruzada para atrair mais participantes, a Abac aposta em duas modalidades mais novas de consórcio: o de serviços e parcelamento com uso do FGTS na casa própria. O primeiro foi lançado em 2009 e, segundo Rossi, ainda está engatinhando. “Queremos oferecer consórcios de pacotes turísticos, educação, estética e blindagem de veículos, entre outros.”

Atualmente, o segmento conta com 4.050 consorciados, um número ainda irrisório na comparação com os 3,84 milhões de participantes ativos em todo o sistema. O desembolso para esse tipo de contrato pode variar entre R$ 2 mil e R$ 38 mil. Para efeitos de comparação, o ticket médio de um imóvel é de R$ 93 mil. O automóvel tem ticket de R$ 36 mil, a moto de R$ 9,5 mil e os veículos pesados (caminhões) de R$ 138 mil. “Ainda é pouco, mas o segmento está decolando. Tivemos a abertura de 1,7 mil cotas de janeiro a abril deste ano, ante apenas 100 no mesmo período do ano passado.”

Outra aposta é o uso ampliado do FGTS em consórcios. Desde 18 de março, os trabalhadores podem usar o saldo da conta vinculada para amortizar, liquidar e pagar parte das prestações de consórcios imobiliários com o saldo da conta vinculada. A medida foi aprovada pelo Conselho Curador do FGTS no fim do ano passado, e regulamentada pela Caixa naquele mês.

A novidade complementou outros dois serviços disponíveis para o trabalhador na aquisição de imóveis: usar o saldo da conta vinculada para complementar a carta de crédito e para composição de lance. Rossi conta que 1.093 consorciados já foram contemplados pelo novo sistema, de março até 11 de junho. “Foram liberados R$ 18 milhões do FGTS”, disse.

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