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Concentração bancária e desgastes políticos justificam mudança na Febraban

Cada vez menos bancos. Esse é o motivo apontado por analistas para a decisão de profissionalizar a gestão da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), anunciada esta semana, pela entidade. Criada em 1967, a Febraban vinha sendo comandada em rodízio pelos maiores bancos do País. Nas últimas gestões, ficou com Bradesco, Itaú, Unibanco, e Santander. Com a fusão entre Itaú e Unibanco, no final de 2008, a lista dos ¿candidatos¿ à Febraban ficou ainda menor. Além de concentrado, o setor está mais poderoso financeiramente. A alternativa foi buscar um modelo comandado por um presidente executivo.

Redação Economia |

 

A decisão de mudar as regras de sucessão na entidade irá fazer com que o mandato do atual presidente, Fabio Barbosa, do banco Santander, seja ampliado. Ele deixaria a presidência da Febraban dia 9 de abril, mas deve permanecer no cargo por mais um ano, para que haja tempo para a escolha de um substituto.

Menos nomes

De 2000 para cá, nomes como ABN Amro, Banespa, Nossa Caixa, BankBoston, Sudameris e Bilbao Vizcaya desapareceram. Foram vendidos, incorporados por outras instituições ou deixaram o Brasil. É claro que há uma concentração evidente nas mãos dos grandes bancos, avalia Luis Miguel Santacreu, analista da consultoria de avaliação de risco Austing Rating.

Os números do BC mostram que, no fim de 2000, os 50 maiores bancos do País detinham 82% dos ativos totais do setor, de R$ 794 bilhões. Em setembro do ano passado, a soma dos ativos totais desses mesmos 50 maiores (muitos entraram ou saíram da lista) era de R$ 3,4 trilhões, com Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco respondendo pela metade desse valor, ou R$ 1,7 trilhão.

Para Santacreu, essa concentração é natural. Em outros países, para ser grande no varejo é preciso investir muito, abrir muitos pontos de atendimento, diz. Bancos com cem agências nunca chegam a um ponto ótimo de rentabilidade e atendimento. Segundo o analista, para ter escala é necessário grande aporte em tecnologia e poucos bancos têm recursos para isso. Em outros países, há dois ou três grandes bancos de varejo", diz. "Os outros são bancos de nicho, focados em uma área de atuação.

Conselho de banqueiros

Santacreu acha positiva a mudança no formato de gestão da Febraban, mas sugere que seja criado um conselho de banqueiros, responsáveis pela escolha de um profissional para tocar o dia-a-dia da entidade. Os presidentes de banco hoje têm uma agenda muito atribulada para cumprir como executivo do próprio banco", afirma. "Outras entidades de classe fizeram o mesmo, caminhando para a profissionalização da gestão.

Um executivo de banco que prefere não se identificar lembra que quem está na presidência da Febraban tem de lidar com questões políticas, como discussões com o governo federal em torno dos spreads cobrados pelo setor, negociações dos acordos coletivos dos bancários e pontos macroeconômicos como a reforma tributária. A posição do presidente da Febraban acaba associada à do banqueiro, diz a fonte. Questões mais espinhosas podem ser vinculadas à imagem da instituição em que ele trabalha, complementa Santacreu.

O economista Roberto Luis Troster, que trabalhou na Febraban durante cinco anos e saiu da entidade após divergências com a direção, considera positiva a mudança na forma de gestão. O comando da entidade demanda muita energia. Com uma gestão executiva, ela ficará mais acurada, diz ele. Para Troster, o sistema financeiro está mais sofisticado e demanda muito mais esforços de quem está a sua frente.

Procurada, a assessoria de imprensa da Febraban informou não ter nada a acrescentar além da nota encaminhada sobre a decisão de mudar o modelo sucessório.

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