Tamanho do texto

Após período de expansão em massa no início da década, empresas retraem-se diante da crise financeira internacional

As financeiras vivem um novo cenário, distante da concorrência acirrada que marcou a virada da década, em que as empresas disputavam clientes no meio da rua, palmo a palmo. No Centro de São Paulo, por exemplo, a Rua São Bento chegou a abrigar 30 lojas de marcas diferentes, uma ao lado da outra. Após a expansão massiva, veio o encolhimento e a especialização das operações em nichos do mercado.

“Os bancos fizeram uma grande corrida atrás das financeiras”, diz uma fonte do setor. Há pouco mais de dez anos, a Losango e a Fininvest dividiam o mercado, com centenas de lojas cada. “Elas tinham altíssima rentabilidade, cobrando juros de 11% a 13% ao mês”, lembra a fonte. No início desta década, o Unibanco comprou a Fininvest, inaugurando um movimento de aquisições no setor. A Losango já pertencia ao Lloyds Bank e foi comprada pelo HSBC em 2003.

“Os bancos compraram as financeiras porque achavam que o relacionamento da clientela com elas iria trazer correntistas para eles”, diz o executivo do setor. Nessa corrida de compras, o banco HSBC levou a Losango, e o Bradesco ficou com a Finasa. O Itaú abriu centena de lojas com a marca Taií, o mesmo movimento do Citibank com a sua Citi Financial. Até a gigante americana GE entrou no mercado, com cerca de 150 unidades da GE Money. Bradesco e GE Money não quiseram se pronunciar.

“Todos se esqueceram que o cliente do empréstimo pessoal não quer relacionamento bancário. Ele entra na financeira porque tem necessidade de dinheiro. O seu único sonho é liquidar a dívida e deixar de ser cliente”, acrescenta a fonte. “Ao mesmo tempo em que houve uma expansão massiva das financeiras, o cliente não queria relacionamento, por isso os bancos não tiveram êxito.”

Consignado

A expansão do crédito consignado, por volta de 2004, modalidade de financiamento em que as parcelas são descontadas diretamente nas folhas de pagamento de salário ou no contracheque dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), também ajudou a colocar uma pá de cal no ânimo das financeiras. Como o desconto das prestações do consignado é feito diretamente na fonte de renda, as taxas cobradas dos tomadores é mais baixa que no CDC, devido ao risco menor de inadimplência.

“Após o pior momento da crise econômica, em setembro de 2008, o mercado para as financeiras ficou muito restrito, principalmente por causa do funding”, afirma Adalberto Saviolli, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). Com a escassez e o encarecimento do dinheiro devido à crise, essas empresas tiveram dificuldades de recursos para emprestar (funding) e acabaram se direcionamento para nichos específicos de atuação. “Há empresas que se especializaram só no consignado”, exemplifica.

Segundo Saviolli, a redução da demanda do crédito pessoal também contribuiu para a retração das financeiras. Na sua opinião, essa redução foi provocada por dois fatores: o empréstimo consignado e o crescimento da oferta de crédito bancário de forma geral. “Se você comparar (o crédito pessoal) com o cheque especial, este tem condições melhores do que o crédito de rua”, diz o presidente da Acrefi.

A favor dos bancos resta o fato de que a bancarização aumentou, impulsionada pelas operações das financeiras. “Muita gente fechou. Mas, como existe um público que precisa de crédito, os que permaneceram no mercado acabaram se beneficiando”, diz a fonte do setor.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.