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Compra do Patagônia é ótimo negócio, diz analista

Aquisição do banco argentino pelo Banco do Brasil é considerada estratégica do ponto de vista da internacionalização

Nelson Rocco, iG São Paulo |

A compra de 51% do capital do argentino Banco Patagônia pelo Banco do Brasil está sendo considerada um “ótimo” negócio pelos analistas do setor bancário. O Patagônia é o oitavo no mercado da Argentina, tem boa atuação no varejo e o negócio está em linha com a estratégia do BB de internacionalização, dizem os especialistas. A compra do controle do argentino pelo BB por R$ 479,6 milhões foi anunciada ontem.

“Apesar de o Patagônia ser pouco relevante em relação ao tamanho do Banco do Brasil, é um passo muito importante para a atuação no exterior”, diz Felipe Ruppenthal, analista de investimentos da Geração Futuro Corretora, que administra R$ 834 milhões em ações do BB em suas carteiras de fundos. O banco é o oitavo no mercado argentino, tem 154 agências e 750 mil clientes. “Dentro do mercado argentino, é um banco relevante. Com ele, o BB deve alcançar as primeiras posições localmente num curto período de tempo”, avalia.

Luís Miguel Santacreu, analista da agência de classificação de riscos Austin Rating, afirma que a aquisição funcionará como um aprendizado do BB para operar no exterior. “Cada país tem uma cultura, um entorno jurídico e regulatório e o papel do BB é entender isso”, diz. Esse aprendizado passa pelos hábitos dos clientes no varejo e também das empresas em suas operações com títulos e emissões.

“É a primeira vez que o Banco do Brasil entra no varejo no exterior. Isso abre portas para que ele faça a função que a aquisição implica: aproveitar as sinergias com a Argentina, compreender o negócio lá, e chegar à integração que os bancos americanos, por exemplo, já fazem há muito tempo no âmbito global. É isso que o BB está fazendo agora”, afirma o analista da Austing Rating.

Os planos de internacionalização do BB contemplam, além da Argentina, chegar a outros países latinos, à África e aos Estados Unidos. “Nos EUA, é que está o grande filão, explorar o varejo de brasileiros lá e os negócios de empresas brasileiras também”, afirma Santacreu, lembrando que o BB negocia uma aquisição no mercado americano.

Ruppenthal lembra que o Patagônia não tem grande necessidade de capital. Seu índice de Basileia é de 36%, muito acima da média do mercado brasileiro, em torno de 15%. O índice de Basileia é um indicador de solvência dos bancos e mede sua capacidade de emprestar. Significa quanto o banco tem de capital para cada R$ 100 emprestados.

Do ponto de vista dos indicadores de múltiplos, o analista da Geração diz que a aquisição foi por um preço “justo” comparado com os múltiplos de outros bancos. Segundo ele, o valor pago significa oito vezes o P/L (preço da ação sobre o lucro). “Está abaixo até do P/L do próprio Patagônia, que é de nove vezes.” O P/L indica quantos anos um investimento em ações por aquele preço levará para dar retorno.

Segundo Santacreu, a compra do Patagônia funciona também como um sinal para os investidores diante dos planos de BB de fazer uma oferta de ações para aumento de capital, cujo valor gira em torno de R$ 8 bilhões, como se comenta no mercado. “Esse é um aperitivo para o aumento de capital que o banco vai fazer. Quando a oferta sair, os acionistas terão um histórico de fatos e não de promessas para tomar uma decisão”, avalia.



 

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