A maior parte dos compradores foram investidores estrangeiros, que responderam por 70,3% do valor levantado

 A oferta pública de ações promovida pela empresa do setor de educação Estácio Participações movimentou o equivalente a R$ 685,5 milhões, conforme o anúncio de encerramento publicado hoje. O montante inclui a emissão de lote suplementar, aprovado no fim da semana passada, que corresponde a 10% das ações inicialmente ofertadas.

Nesse caso, como foram emitidos novos papéis, o valor correspondente à oferta primária - R$ 62,2 milhões - vai para o caixa da companhia. Na oferta secundária, os R$ 623,3 milhões resultantes da venda das 32,8 milhões de ações ordinárias (com direito a voto), foram embolsados pelos sócios João Uchôa Cavalcanti Netto e Monique Uchôa Cavalcanti de Vasconcelos, que deixam o negócio. A maior parte dos compradores foram investidores estrangeiros, que responderam por 70,3% do valor levantado.

Uma parcela de 20,2% foi adquirida por fundos de investimento e apenas 8,7% dos papéis foram comprados por investidores pessoa física. As ações da Estácio foram vendidas por R$ 19 e a oferta teve como líder o BTG Pactual. Outras instituições coordenadoras envolvidas foram o Credit Suisse e o Santander. Com a oferta pública, a companhia deixou de ter um controlador com mais de 50% do capital. Com a saída do fundador, será desfeito o acordo de acionistas existente.

O maior sócio da empresa será a GP Investments. Por conta dessa mudança na estrutura de capital, a Estácio aprovou no início de setembro a inclusão em seu estatuto social de uma "pílula de veneno" para dificultar a compra de uma fatia significativa da companhia por algum investidor. A pílula exige a realização de oferta de compra das ações dos demais acionistas caso alguém supere o percentual de 20% do capital. (Ana Luísa Westphalen | Valor)

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