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Clubes de investimento ganham integrantes, mas perdem patrimônio

Mesmo com perda na Bolsa, clubes de investimento crescem e se aproximam dos níveis pré-crise; motivo é confiança na economia local

Olívia Alonso, iG São Paulo |

Apesar das recentes baixas da Bolsa de Valores de São Paulo, os clubes de investimento brasileiros estão atraindo poupadores e começam a se aproximar dos níveis pré-crise de 2008. A confiança dos participantes nos gestores dos clubes e a melhora da economia local, a despeito das pressões externas, fazem com que os cotistas continuem no barco e outras pessoas sejam atraídas para essa modalidade de investimento.

“Como todos os cotistas são nossos conhecidos, ninguém deixou o clube em função das quedas deste ano”, disse ao iG o gestor de um grupo que possui 19 participantes, um patrimônio de cerca de R$ 1,9 milhão e preferiu não se identificar. Segundo ele, existe uma dose a mais de confiança no investimento pelo fato de os administradores geralmente serem amigos ou familiares dos membros do grupo. Nos dias em que o mercado brasileiro caiu mais, alguns até aportaram mais recursos considerando que a “bolsa estava barata”, acrescentou. O Ibovespa, principal indicador da Bovespa – caiu 11,16% no primeiro semestre do ano.

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Melhora da economia permite que pessoas poupem mais e conheçam os clubes, diz professora da BM&FBovespa
Até abril deste ano, foram criados 216 novos clubes de investimento no País, o que elevou o total a 3.072. Só em abril, foram registrados 65 novos grupos, e dados preliminares mostram a criação de pelo menos outros 50 em maio.

Já o patrimônio líquido caiu de R$ 14,6 bilhão em março para R$ 14,1 bilhão no quarto mês do ano. O principal motivo para a queda foi a desvalorização das ações na Bovespa, já que a diluição de clubes foi muito pequena em comparação a outros períodos. “Como a carteira é composta de ações, em tempos de queda da bolsa, esse número [patrimônio] cai”, explica Tércia Rocha, professora de educação financeira da BM&FBovespa. Em abril, o Ibovespa caiu 4%.

Além do número de clubes, o total de cotistas também cresceu, apesar da perda de patrimônio. Em março, eram 128 mil investidores, em abril, 140 mil.

Mais renda, mais investimentos

O crescimento da economia brasileira, o aumento da renda e do emprego são apontados por Tércia como causas para o surgimento de novos clubes de investimento e a ampliação do número de cotistas este ano, apesar da volatilidade dos mercados em todo o mundo. “A melhora da economia permite aos brasileiros poupar mais”, diz.

Quando as pessoas conseguem guardar dinheiro, passam a aplicar, e os clubes são considerados por muitos como uma “porta de entrada” para o mercado de ações, segundo Tércia. Com a aquisição de uma cota, é possível aplicar em empresas diferentes com menos dinheiro. “Quem tem uma quantidade recursos pequena não consegue diversificar investimentos. Neste caso, o veículo coletivo é mais interessante”, diz Tércia.

Além disso, os participantes compartilham conhecimentos e fazem com que os grupos se tornem um ponto de aprendizado. “As pessoas trocam informações e se ajudam no aprendizado sobre o mercado”, afirma a professora da BM&FBovespa.

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Até abril, 140,1 milhões de pessoas participavam dos grupos
Outra característica que torna o clube de investimento atraente é o benefício fiscal. O cotista só paga imposto de renda - que é fixo em 15% - quando o dinheiro é sacado e não há cobrança de IOF (Imposto sobre Operação Financeiras). Se o investidor permanecer dez anos no clube, por exemplo, não paga imposto durante neste período, apenas quando sair. Em aplicações diretas no mercado de ações, à vista, o imposto é pago a cada ganho realizado, por exemplo.

Em recuperação

Apesar de o número de clubes de investimento no Brasil ser o maior da história atualmente, o total de cotistas e o patrimônio líquido dos clubes ainda não atingiu os patamares pré-crise. Isso porque o baque sofrido pelos mercados em 2008 - ao contrário da crise europeia atual - chegou a levar muitos cotistas a desistir dos clubes.

Até abril, 140,1 mil pessoas participavam dos grupos, abaixo dos 154,8 mil de março de 2008, mês recorde. Já o patrimônio ficou em R$ 14,1 bilhões em abril, contra R$ 18,1 bilhões em maio de 2008, o maior montante já atingido.

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