Sem tempo e apetite para alto risco, público feminino migra para fundos de investimentos

As mulheres continuam interessadas em investir na Bolsa de Valores e ter retorno de suas aplicações. Mas os clubes de investimentos dedicados ao público feminino, que serviram de porta de entrada no início dos anos 2000 para um grande contingente de mulheres entender como negociar com ações, estão perdendo espaço. Embora ninguém saiba exatamente quantos clubes são dedicados às mulheres no universo de mais de 3 mil grupos existentes no Brasil, muitas corretoras estão sugerindo que as mulheres migrem seus recursos para os fundos de investimentos.

A Geral Investimentos, a Geração Futuro e a Gradual Investimentos mantêm seus clubes ativos, mas o número de mulheres dedicadas a discutir e avaliar as opções no mercado está diminuindo. Essas mulheres estão preferindo aceitar as sugestões das corretoras e aplicar seus recursos nos fundos dedicados a elas próprias.

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"Uma das questões mais relevantes para as mulheres é a segurança, antes mesmo da rentabilidade”, diz Alessandro Barreto, diretor de recursos de terceiros da Geral
Uma das razões para a mudança é que as corretoras identificaram que as mulheres preferem modalidades de aplicações mais seguras e possuem um perfil mais conservador em relação ao risco do que os homens, argumentam. “Avaliamos nossa base de clientes e concluímos que uma das questões mais relevantes para as mulheres é a segurança, antes mesmo da rentabilidade”, diz Alessandro Barreto, diretor de recursos de terceiros da Geral Investimentos. A corretora criou recentemente um fundo – Galt FIA – para receber as cotistas do Clube Geral Mulher.

Em busca de conhecimento

Quando a maioria dos clubes de investimentos foi criada, entre 2003 e 2007, as corretoras buscavam atender a uma clientela que começava a surgir e ainda conhecia pouco do mercado. “As mulheres buscavam os clubes com gestores profissionais porque não tinham tempo de acompanhar o mercado com freqüência ou confiança para montar as carteiras próprias”, conta Flávio Sanematsu, gestor do clube Concórdia Mulheres, da Concórdia.

No ano passado, a Gradual lançou para as mulheres o Fundo FIA Gradual Mulher. “É um produto bastante conservador, e o gestor prioriza companhias sólidas e maduras. "Aos poucos estamos entrando em contato com as clientes para migrá-las do clube Gradual Mulher para o fundo”, afirma Viviane Moreno, executiva Comercial de Fundos e Clubes da corretora.

Natureza dos clubes

Outra descoberta das corretoras ao analisar o perfil de suas clientes é que as mulheres preferem uma carteira pronta, com ações de maior liquidez, em vez de discutir inúmeras alternativas de ativos. “Elas não interferem nas decisões da mesma maneira que os homens”, comenta Emanuelle Lejambre, executiva da Mesa de Operações da Gradual Investimentos.

Pela natureza do clube, as reuniões para as decisões de investimentos são feitas periodicamente, exigindo a presença dos cotistas que discutem com o gestor os detalhes das melhores opções. No caso dos fundos de investimentos, essas decisões são tomadas pelos profissionais – a participação dos cotistas é inexistente.

A presença das mulheres nas reuniões dos clubes é baixíssima. “Nos últimos encontros, não houve quorum”, diz Emanuelle, da Gradual Investimentos.

Ocupação esgotada

Outro fator que contribuiu para que as empresas passassem a oferecer os fundos foi o tamanho limitado dos clubes. O número de mulheres interessadas em ações cresceu nos últimos anos, mas os clubes podem ter no máximo 150 participantes por exigência da legislação. De 2002 a 2010, o número de mulheres que investem na Bolsa, por exemplo, cresceu 805%, para 136 mil.

“Como o número de participantes do clube passou de 150, transformamos em um fundo, que é ilimitado”, conta Amilton José Bardelotti, diretor da Geração Futuro. Agora, a corretora está migrando suas cotistas do clube “Meninas Iradas” para o fundo que leva o mesmo nome. Assim, ao substituir uma modalidade por outra, as corretoras que já estavam no limite conseguem ampliar ainda mais suas bases de clientes.

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