Apoio para fabricação das cédulas seria grande avanço para bancos comunitários

Um dos importantes avanços esperados pelos bancos comunitários - instituições criadas com o objetivo de conceder microcrédito para comunidades de baixa renda - é a possibilidade de a Casa da Moeda do Brasil imprimir as cédulas próprias de cada um deles, as chamadas “moedas sociais”.

Atualmente, o Banco Central possui um convênio com a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) para estudar os bancos comunitários. Os representantes das instituições comunitárias contam que, no ano passado, integrantes do Banco Central teriam levantado a ideia de que o regulador pudesse determinar a impressão das moedas sociais na Casa da Moeda, durante um seminário sobre economia solidária. Questionada pelo iG, Marusa Vasconcelos Freire, procuradora do Banco Central, afirmou que ainda não há nada de concreto em relação à impressão das cédulas.

Moedas sociais atualmente são impressas em uma gráfica no Nordeste
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Moedas sociais atualmente são impressas em uma gráfica no Nordeste
Ainda assim, Joaquim Melo, fundador do Banco Palmas, diz que “quanto mais o Banco Central sinaliza seu apoio, melhor”. O Palmas foi o primeiro dos 51 bancos comunitários brasileiros, fundado há 12 anos. Além do teor positivo da manifestação do apoio do Banco Central, que por muitos anos não reconhecia nem apoiava os bancos comunitários brasileiros, o fim dos custos com impressão faria uma grande diferença para essas instituições.

“Temos o custo de R$ 0,15 por moeda fabricada e também arcamos com o transporte desde Fortaleza, onde está a gráfica de confiança do Instituto Palmas”, conta Mauro Rodrigues da Silva, coordenador do Banco dos Cocais, de São João do Arraial, localizado no chamado território dos Cocais, no norte do Piauí. “Se a Casa da Moeda fabricar, além da redução dos custos, o material será de maior qualidade”, acrescenta Silva. Atualmente, a impressão é coordenada pelo Instituto Palmas, gestor e certificador de bancos comunitários no Brasil.

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"Impressão das cédulas na Casa da Moeda seria m avanço gigantesco", diz Joaquim Melo, fundador do Banco Palmas
“Hoje, para emitir dez mil cedulas o custo chega a ser de R$ 5 mil. É um recurso bastante caro. Se tivéssemos este apoio, seria um avanço gigantesco tanto do ponto de vista institucional como financeiro”, acrescenta Melo. O fundador do Banco Palmas afirma que as instituições mais novas precisam de "muito apoio e muita parceria" para alcançar a sustentabilidade.

R$ 155 mil concedidos em moedas sociais

Os 51 bancos comunitários brasileiros possuem moeda própria, sempre atrelada ao real. Em alguns casos, os governos e empresas apoiam a ideia e pagam parte dos salários dos funcionários em real e outra parte na moeda local. É o caso do Banco dos Cocais, onde os funcionários da Prefeitura recebem 25% dos honorários em cocais, e também do Banco Palmas, de Fortaleza, onde a maioria da população recebe 30% do salário em palmas, a moeda local.

Em todo o Brasil, já foram concedidos pelo menos cinco mil créditos em moedas sociais, superando 155 mil em dinheiro, segundo levantamento do Instituto Palmas. Além das moedas sociais, que são voltadas ao consumo, os bancos comunitários também concedem créditos produtivos, geralmente em reais. Na moeda brasileira, os bancos comunitários já ultrapassam 11 mil transações, em um montante de R$ 5 milhões.

Exemplos de cédulas: cada um dos 51 bancos comunitários brasileiros possui sua moeda própria
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Exemplos de cédulas: cada um dos 51 bancos comunitários brasileiros possui sua moeda própria

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