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Cartões: CSU investe R$ 30 milhões na tropicalização dos sistemas

Companhia afirma que está apta para prestar serviços a adquirentes, para aproveitar a abertura do setor de cartões

Nelson Rocco, iG São Paulo |

A CSU Cardsystem, empresa que atua na gestão de cartões de crédito para terceiros, investiu cerca de US$ 15 milhões ou R$ 30 milhões na “tropicalização” de seus sistemas, de olho na abertura de mercado de cartões de crédito. O fim da exclusividade entre a bandeira Visa e a credenciadora Cielo, a partir de 1º de julho, vem sendo encarada como marco pelos agentes do setor, que esperam por grandes mudanças.

Nos corredores da CSU não poderia ser diferente. Décio Burd, diretor de relações com investidores da companhia, diz que a atualização do programa de base dos negócios da empresa foi adaptado para que a CSU pudesse prestar serviços aos adquirentes. “Nosso software estava preparado para emissões de cartões e no credenciamento dos estabelecimentos, mas não usávamos a função ‘acquirer’ (adquirente). Foram dois anos para a tropicalização”, afirma Burd. Agora, a empresa está apta para toda a operação e gestão da emissão de cartões, da rede de atendimento ao varejo, e da administração financeira.

Os adquirentes são as operadoras de cartões, as empresas que instalam as máquinas POS (do inglês point of sale), aquelas maquininhas nas quais se passa o cartão, no varejo e cuidam da gestão das contas. Esse mercado até poucos meses era dominado por Cielo e Redecard. Ambas ganharam um concorrente em março, com a entrada do banco Santander nesse segmento, numa parceria com a GetNet.

Forçado por um estudo elaborado pelo Banco Central, em parceria com a Secretaria de Direito Econômico (SDE, do Ministério da Justiça) e com a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae, do Ministério da Fazenda), divulgado no ano passado, o setor decidiu acabar com a exclusividade de marcas e bandeiras. De agora em diante, todas as maquininhas POS aceitarão qualquer cartão. Isso vale para crédito, débito e também para cartões de benefícios, mas é necessário que o software do equipamento seja modificado. Na prática, a nova regra levará algum tempo para se tornar prática.

“Hoje, a empresa que decidir entrar na área de adquirente para concorrer com Cielo, Redecard ou Santander, pode usar nosso software”, diz Burd. Ele afirma que a CSU negocia com algumas empresas o uso de seu sistema para a entrada no mercado, mas não revela nomes. “Temos ações em Bolsa e se eu falar algo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) me pega. O que posso dizer é que temos negociações quentes, outras mornas e algumas mais frias”, afirma o diretor de RI.

Exemplo de fora

Burd conta que a decisão da CSU se baseou na observação dos ganhos das companhias do setor e no modelo dos Estados Unidos. “Esse é um mercado que faz 5 bilhões de transações por ano, concentradas em dois adquirentes.” O mercado norte-americano, compara, processa dez vezes mais operações, ou 58 bilhões, num mercado dividido em 103 adquirentes.

Para Burd, as novas regras trarão benefícios tanto para os varejistas como para os consumidores. “Essas mudanças já começaram. A redução no preço do aluguel do POS e das taxas cobradas já está acontecendo. Não de maneira dramática, mas o setor todo fala em diminuição de custos.”

Segundo informações da companhia, o mercado de cartões de crédito era de 345 milhões de unidades no final do primeiro trimestre, sendo 141 milhões de crédito e 204 milhões de “private label” (cartões de loja). De acordo com Burd, desse total, cerca de 45 milhões de cartões são geridos por terceiros, sendo que a CSU tem algo em torno de 24 milhões de unidade, sendo 19 milhões em crédito e 5 milhões em private label. Nos três primeiros meses deste ano, a empresa obteve lucro líquido de R$ 6,2 milhões consolidados, com alta de 34,7% sobre os R$ 4,6 milhões do mesmo período de 2009.

 

 

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