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Caro, burocrático e esnobe, banco tenta se adequar

Novo cliente exige produtos adequados às suas necessidades, com taxas de juros menores

Aline Cury Zampieri e Olívia Alonso, iG São Paulo |

Tarifas caras, juros altos, burocracia e, até mesmo, uma certa empáfia. Esses são alguns dos problemas apontados pelos especialistas para o baixo crescimento da bancarização no Brasil.

Um primeiro ponto para mudar esse cenário, dizem eles, é criar produtos adequados às necessidades dos clientes de renda mais baixa, que ofereçam taxas de juros menores. “Se não for feito sob medida, o produto não é sustentável e leva ao aumento da inadimplência”, afirma Lauro Gonzalez, professor de Finanças da FGV. Para ele, os bancos têm de mudar sua perspectiva de trabalho: ganhar menos, com cada um dos muito clientes que se incorporarão à base.

Os especialistas indicam algumas ferramentas que facilitariam esse trabalho. “Precisa haver um mecanismo de crédito automático, um sistema de pontos para concessão de financiamento e um bom cadastro”, diz Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Em todas essas alternativas, tecnologia da informação, a área de expertise máxima dos bancos, é apontada, como sempre, como o grande diferencial de eficiência. “Esse é um público de resultados modestos, então o sistema tem de ser o mais massificado possível e oferecer custos compatíveis”, diz Kimitaka Ivamoto, presidente da consultoria Kiwco. “Com tecnologia, os bancos conseguem melhorar processos, ter mais eficiência, menores custos e, assim, reduzir cobranças.”

Finanças da proximidade

Outro ponto a ser desenvolvido é a atenção ao relacionamento, diz Gonzalez, da FGV. “Para aumentar o grau de inclusão no sistema financeiro, é preciso prestar atenção às ‘finanças da proximidade’, que são as vantagens vindas da aproximação com o cliente”, diz. Segundo ele, as classes mais baixas têm uma postura “desconfiada” por nunca terem visto como os mecanismos financeiros funcionam. "A proximidade ajuda o cliente a avaliar de maneira mais precisa os riscos associados à inclusão financeira", diz.

Para ele, a grande figura a se consolidar nessa realidade é a do agente de crédito. “A pessoa nessa função encontra, explica, lida com questões operacionais e monitora o cliente”, diz. "Tem de ser uma pessoa próxima. Se os clientes estão em Heliópolis (bairro de baixa renda em São Paulo), por exemplo, o agente tem que ser alguém de lá.”

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Movimento de bancarização tem começado por cartões de crédito
Cartões

O movimento de bancarização, no entanto, tem começado a acontecer por meio dos cartões de crédito. “Normalmente os clientes de renda mais baixa não têm conta bancária, mas têm o cartão de lojas”, diz Ivamoto. “Esse movimento nas pontas do consumo é extremamente importante, porque o cliente começa a tomar gosto e melhorar sua posição de crédito.” É o caso da diarista Cleuza Souza, de 54 anos de idade, que paga as contas em lotéricas e redes de supermercados próximas ao trabalho.

O cartão pré-pago também deve ganhar ênfase nos próximos anos. Além do brasileiro já estar acostumado com um produto pré-pago, que é o celular, esse tipo de cartão trabalha na mesma plataforma de crédito e débito, sem ter o risco de crédito. “No exterior, já são comuns os cartões pré-pagos de redes de restaurantes”, diz Ivamoto.
 

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