Analistas esperam que assembleia que definirá detalhes da oferta aconteça ainda em outubro; operação total prevê R$ 4,8 bilhões

A operação de capitalização da Eletrobras está pronta para vir a mercado. Segundo analistas, a assembleia da companhia que definirá os detalhes da oferta de ações deve acontecer ainda em outubro. Na operação, a empresa converterá dívidas que tem com a União em ações.

Dessa forma, o governo federal espera aumentar sua participação na companhia sem, necessariamente, colocar dinheiro novo na empresa. Por esse motivo, a operação tem similaridades com a capitalização da Petrobras, em que o governo usou o potencial de produção do pré-sal para investir na companhia.

Mas o processo de capitalização da Eletrobras pode ser ainda mais complexo que o da Petrobras. Isso porque a dívida que a holding do setor elétrico tem com o Tesouro tem origem em depósitos que o governo fez na companhia para que ela pudesse investir anteriormente. Para isso, foi usado um título chamado de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (Afac).

Por esse veículo, o governo federal investiu R$ 4,9 bilhões na Eletrobras nos últimos anos (em valores atualizados), ficando com Afacs de valor equivalente, para serem usados quando a capitalização chegasse.

Os R$ 2,2 bilhões de Afacs que ficaram em posse do Tesouro garantem-lhe a maioria das ações após o processo de capitalização, segundo Armando Casado de Araujo, diretor de Relações com Investidores da Eletrobras. Se os minoritários investirem o máximo, mantendo a proporção atual entre os donos da estatal, o dinheiro que entrar em caixa será usado para pagar a dívida com o Tesouro, explica.

Isso ocorrerá porque a capitalização total, prevista em decreto, será de R$ 4,8 bilhões, que é inferior ao volume total de Afacs emitidos. “Não entrará um real sequer em caixa para a Eletrobras”, explica. Mas, com o aumento de capital, cairá o custo da dívida e melhorará o retorno da companhia, completa.

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