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Câmbio provocará "ressaca" na indústria, diz Fiesp

SÃO PAULO - O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, prevê uma "ressaca" na indústria brasileira devido à forte valorização do câmbio

Valor Online |

SÃO PAULO - O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, prevê uma "ressaca" na indústria brasileira devido à forte valorização do câmbio. Segundo ele, o Brasil ainda está na "etapa da farra", mas logo o cenário deverá mudar. Francini explica que a apreciação do real gera na sociedade a sensação de euforia e conforto, ao permitir o acesso a produtos importados. "Enquanto todos (os países) estão crescendo, tudo bem. A questão é saber como o mundo vai se comportar com a baixa expansão dos países desenvolvidos. A guerra cambial acontece porque todos estão desesperadamente buscando mercado", argumenta. O diretor da Fiesp destaca que é fato que o câmbio valorizado ajuda a controlar a inflação, e isso é utilizado. Porém tal política tem seus efeitos colaterais. Francini demonstra desconforto com a falta de posicionamento dos candidatos à Presidência em relação ao tema. "Estamos vivendo um "Ensaio sobre a cegueira". Não sabemos como os candidatos veem a questão cambial. Ninguém fala sobre isso. Só se comenta sobre o aborto", afirmou, citando o livro do escritor português José Saramago que mostra como reage a sociedade quando lhe falta a visão. Embora a Fiesp projete crescimento de 3,9% para o emprego na indústria paulista em 2011, Francini ressalta que há temores ligados à balança comercial. "A procura por importados é cada vez maior. Estamos com uma boa demanda doméstica, e há sinais de manutenção, mas não sabemos como será satisfeita essa demanda", diz. Para 2010, a expectativa da entidade é de expansão de 5,5% nos empregos, com a criação de 120.000 vagas. Nos nove primeiros meses deste ano, foram gerados 193.500 postos de trabalho, porém há a previsão de devolução de parte dessas vagas até o final do ano. O maior corte, correspondente a cerca de 50.000 empregos, virá do setor de açúcar e álcool, num movimento que já é previsto pela indústria. "Tradicionalmente, os três últimos meses do ano são de dispensa de trabalhadores nos canaviais. Além disso, há a questão da mecanização da colheita. Cada máquina, que custa ao redor de US$ 800 mil, tira 100 trabalhadores do campo", diz Francini, complementando que, embora o investimento seja alto, o valor despendido com a máquina é compensado ao longo do tempo. "Por isso, os empregos nesse setor tendem a sumir", conclui. Os números mensais da pesquisa de emprego evidenciam que o ritmo das contrações vem decrescendo. Dois anos após o estouro da crise, ainda faltam 16.000 vagas para que a indústria paulista recupere o patamar pré-crise. Pelos cálculos da Fiesp, isso acontecerá somente no início de 2011. (Francine De Lorenzo | Valor)

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