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Instituição estatal passa a deter 33,33% da bandeira de cartões de crédito Elo

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta segunda-feira sua entrada na bandeira de cartões de crédito Elo, que está sendo criada pelo Bradesco e pelo Banco do Brasil. Cada uma das instituições ficará com 33,33% do novo negócio.

A participação da Caixa faz parte de um memorando de entendimentos assinado entre as três instituições que tem caráter mais amplo. Segundo Marcio Percival, vice-presidente da Caixa, ainda estão em discussão a fatia que o banco terá no Elo Vale, de cartões de benefícios, na administradora de cartões Cielo e na rede de compartilhamento. “O que está acertado é nossa participação na bandeira Elo de cartões. Uma participação na holding Elo ainda está em discussão”, afirma.

Paulo Cafarelli, vice-presidente de cartões do Banco do Brasil, calcula que o objetivo da bandeira Elo é conquistar 15% do mercado brasileiro de cartões, “principalmente de novos clientes”. Segundo ele, os ganhos de sinergias anunciados anteriormente pelo Bradesco e pelo Banco do Brasil, de economizar R$ 1 bilhão em cinco anos com a parceria, poderão ser ampliados em mais ou menos 20% com a entrada da Caixa.

Ganhos de escala

Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, afirma que as três instituições terão ganhos de escala com o novo cartão. O plano é que esses ganhos sejam repassados para os clientes na forma de cobrança de tarifas e taxas mais baixas que as praticadas pela concorrência. “Hoje pagamos royalties pelo uso das bandeiras internacionais. Não precisamos pagar mais. Esse ganho, nossa intenção é que seja transferido para os clientes.”

“O Elo chega como um novo cartão. Já temos uma série de bancos que têm nos procurado para usar a nova bandeira”, afirma Cafarelli. Os primeiros cartões de crédito Elo devem ser emitidos em outubro. “O cartão Elo tem um foco especial no não-cliente, já que o cartão de crédito é um grande instrumento de inclusão bancária”, diz.

“A Caixa representa um elo numa bandeira tripartite. Estamos completando uma massa crítica de clientes. Se somarmos a base de clientes das três instituições, passamos de 100 milhões de brasileiros”, disse Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, durante o anúncio da entrada da Caixa no Elo. Ele lembrou que faz parte dos planos a redefinição da rede de compartilhamento de terminais externos de autoatendimento (ATM). “Os três, mais o Santander, terão a melhor alternativa para usar terminais bancários”, informou Trabuco.

Organização de finanças

Maria Fernanda Ramos Coelho, presidente da Caixa, disse que o cartão de crédito é um importante instrumento para que as famílias brasileiras organizem suas finanças. Daí a importância da participação do banco estatal no negócio de cartões Elo. Ela lembrou que a Caixa detém 1,14% do capital da credenciadora de pontos comerciais Cielo e que o memorando de entendimentos com BB e Bradesco inclui a discussão de qual percentual a Caixa passará a ter no futuro.

Para dar uma dimensão do potencial de novos clientes que o Elo poderá atingir, Trabuco citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) que, segundo ele, mostram que das compras das classes A e B, 60% são pagas com cartões de crédito. Nas classes C e D, esse percentual é “só” de 31%, enquanto na classe E chega a apenas 6%. “Isso significa que 11 milhões de brasileiros que irão viajar de avião pela primeira vez nos próximos 12 meses irão pagar a passagem com carnês ou com boletos bancários. Tendo um cartão, ele passa a participar de programas de milhagem e outras promoções”, exemplifica o presidente do Bradesco.


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