CEF fechou o primeiro semestre com aplicações no segmento de R$ 34 bilhões

A Caixa Econômica Federal (CEF) espera superar o patamar de R$ 60 bilhões em financiamento imobiliário este ano, informou hoje o vice-presidente da instituição, Jorge Hereda. De acordo com balanço divulgado nesta manhã, a CEF fechou o primeiro semestre com aplicações no segmento de R$ 34 bilhões e mais de 575 mil contratos assinados, o que representa um crescimento de 95% ante os seis primeiros meses de 2009.

Dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, a meta de contratos para a construção de 400 mil unidades para famílias com renda de até três salários mínimos até o fim do ano deve ser alcançada já entre agosto e setembro, segundo Hereda. Quando isso acontecer, está prevista uma "parada" nos novos contratos dessa faixa salarial. Nesse caso, os financiamentos posteriores serão contratados somente a partir de 2011, no âmbito do Minha Casa, Minha Vida II.

"Quem correr agora terá prioridade, não dá pra ficar esperando", alertou o vice-presidente da Caixa. Ele lembra que, na segunda edição do programa habitacional do governo, 60% dos financiamentos serão destinados à essa faixa de renda, de forma que o acúmulo de pedidos do fim deste ano deve ser suprido "sem demora e nem dificuldade".

Embora tenha descartado a possibilidade de reajuste do valor dos contratos habitacionais para o Minha Casa, Minha Vida, Hereda afirmou ser impossível não haver uma revisão para o ano que vem. Ele argumenta que os números estão inalterados desde o ano passado. O executivo não antecipou, no entanto, qual será a base para a atualização, mencionada na semana passada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A expectativa da Caixa é de que o volume de crédito imobiliário alcance a proporção de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até o final de 2015. "E temos condições de atender à essa demanda", afirmou Jorge Hereda.

Embora reconheça que há um boom do crédito imobiliário, ele pondera que o desempenho atual da Caixa é compatível com o atual ciclo de desenvolvimento econômico do país. Como a velocidade de concessão de crédito imobiliário supera a velocidade de captação da poupança, o vice-presidente da Caixa estima que essa diferença "comece a ser um problema" a partir de 2013. Por isso, a instituição planeja novas formas de captação ou um mix dessas alternativas.

Segundo Hereda, no ano que vem a instituição deve iniciar o processo de securitização de sua carteira, que totaliza cerca de R$ 80 bilhões. Segundo ele, 20% desse montante são passíveis de securitização. "A Fazenda já se mostrou favorável, eu acho que a tendência natural é essa", disse. Além disso, ele prevê para até o fim do ano a emissão de R$ 500 milhões em Certificado de Recibíveis Imobiliários (CRI), valor ainda em discussão. Hereda não descarta ainda a possibilidade de investimento estrangeiro nessa mercado, alternativa que ele considera "consistente". O vice-presidente da Caixa descartou que uma forma de capitalização como a realizada pelo Banco do Brasil seja estudada junto à Fazenda.

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