Bancos anunciaram a elevação de suas participações na Cielo e na Visa Vale, adquirindo ações que estavam nas mãos do Santander

Os bancos Bradesco e Banco do Brasil enumeram três razões para a compra de uma participação maior que a que já detinham no capital da operadora de cartões de crédito Cielo e da Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS), que opera os cartões pré-pagos Visa Vale. O anúncio da compra das participações detidas pelo Santander foi feito na sexta-feira, diz 23.

Segundo os dois compradores, a compra foi estratégica, já que o Santander seguiu outro caminho, montando uma empresa própria concorrente. Em março, o banco espanhol anunciou sua entrada no segmento de credenciamento de lojistas, conhecido como “adquirência”, em parceria com a GetNet. O segundo fator, de acordo com Marcelo Noronha, diretor da área de cartões do Bradesco, é que o preço pago foi considerado “justo” por ambas as partes. A última razão, segundo as instituições, é que acreditam no futuro das duas empresas.

“Nós acreditamos muito no negócio, tanto da Cielo como da Visa Vale. O aumento de participação reforça nosso papel como banco emissor”, afirma Paulo Caffarelli, vice-presidente do Banco do Brasil. Ele lembra que o setor de cartões no País cresce a uma taxa de 20% ao ano e, com esse potencial de alta, o mercado será atrativo para novas companhias a partir de junho, quando o setor passará a ser liberado para credenciamento de bandeiras. “Nossa posição é a de fortalecer a Cielo, que é líder do mercado.”
O Bradesco propôs a aquisição de 2,09% do capital social da Cielo, por R$ 425 milhões e de 10,67% do capital da CBSS, por R$ 139,2 milhões. Concluída a operação, o banco elevará de 26,56% para 28,65% sua fatia na Cielo; e na CBSS de 34,33% para 45%. O BB, por meio da subsidiária integral BB Banco de Investimento (BB-BI) compra 5,11% do capital da Cielo por R$ 1,039 bilhão e 4,65% da CBSS por R$ 60,8 milhões. Segundo comunicado conjunto, a participação do BB-BI na Cielo aumentará de 23,54% para 28,65%, e na CBSS, de 40,35% para 45%.

Tanto Bradesco como BB afirmam que os recursos para o pagamento das ações das empresas ao Santander sairá do caixa próprio, já que os valores “não são relevantes”. O BB irá desembolsar, assim que as operações tiverem a aprovação dos órgãos reguladores, R$ 1,099 bilhão. O Bradesco deverá tirar R$ 564,2 milhões do seu caixa.

De acordo com os executivos, os dois bancos passam a dividir o bloco de controle da Cielo. Os 42,7% das ações restantes estão no mercado acionário (free float). Da Visa Vale, cada banco passa a ficar com 45% do capital. Os 10% restantes estão nas mãos da Visa. Caffarelli admite que faz parte dos planos para a CBSS a abertura de capital com o lançamento de ações em Bolsa de Valores, mas diz que “esse assunto ainda não está em pauta.” A Visa, inclusive, pode vir a deixar sua participação na companhia, afirmam.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.