Banco diz que demanda levou à revisão da expectativa anual de R$ 6,5 bilhões para R$ 7,5 bilhões; no semestre foram R$ 4,2 bilhões

O banco Bradesco elevou sua previsão de concessão de crédito imobiliário para este ano em R$ 1 bilhão. Segundo as projeções elaboradas pelo banco, a carteira total de financiamentos imobiliários deve fechar 2010 em R$ 7,5 bilhões, com alta de 15,4% sobre as previsões anteriores, de R$ 6,5 bilhões. Domingos Abreu, vice-presidente executivo do banco, afirma que a revisão foi necessária devido ao crescimento da carteira imobiliária no primeiro semestre.

“No primeiro semestre do ano, originamos um total de R$ 4,234 bilhões em crédito imobiliário, com um salto de 122% sobre o R$ 1,906 bilhão dos primeiros seis meses de 2009”, afirma Abreu. O presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, ressalva que os números do primeiro semestre do ano passado foram prejudicados pelos efeitos da crise financeira internacional.

De acordo com os cálculos de Abreu, a concessão de recursos para o setor imobiliário segue em alta. No primeiro trimestre deste ano, o banco emprestou R$ 1,846 bilhão. No segundo, foram R$ 2,388 bilhão, com uma alta de 29% na comparação entre os dois períodos. “Na comparação do segundo trimestre deste ano contra o mesmo do ano passado, o crescimento é de 50%”, diz.

O Bradesco tem elevado, inclusive, o financiamento ao consumidor final. Do valor emprestado ao setor no primeiro trimestre, 82% ficou nas mãos das construtoras e 18% foram para os compradores de imóveis. Já neste segundo trimestre, as empresas ficaram com 75,5% dos R$ 2,388 bilhões concedidos, enquanto os compradores levaram 24,5%. “Começamos a perceber uma maior participação no crédito para o usuário final”, afirma o vice-presidente.

Inadimplência

O Bradesco não tem dados desagregados de inadimplência para o crédito imobiliário. Trabuco diz, no entanto, que, como se trata de financiamento de longo prazo, os tomadores se preparam para entrar no crédito. “É um crédito planejado.” Na concessão para as empresas, o presidente do banco lembra que elas “estão no melhor momento de sua história”, o que não indica previsão de inadimplência. “Estamos atendendo com tranquilidade o consumidor que está migrando do aluguel para a casa própria”, afirma Trabuco. “Os instrumentos de concessão de crédito nos dão bastante segurança contra a inadimplência, nos permitem inclusive fazer a retomada do imóvel”, complementa Abreu.

O índice de inadimplência registrado pelo Bradesco fechou o segundo trimestre do ano em 4%, 0,4 ponto percentual abaixo do trimestre anterior para valores em atraso superior a 90 dias. Somente no crédito a pessoas físicas, a inadimplência fechou junho em 3,8%, com redução de 0,6 ponto percentual sobre os três meses anteriores.

A carteira de crédito total do banco fechou o primeiro semestre em R$ 244,788 bilhões, com aumento de 15% sobre o mesmo trimestre de 2009. O maior crescimento na comparação anual veio das micro, pequenas e médias empresas, com uma carteira de R$ 72,315 bilhões, e crescimento de 21,4% sobre o segundo trimestre de 2009. A maior fatia da carteira fica com as grandes empresas, com R$ 96,652 bilhões no final do semestre, e aumento de 6,8% sobre o mesmo período de 2009.

O Bradesco fechou o segundo trimestre com lucro líquido contábil de R$ 2,4 bilhões, com alta 14,4% sobre os mesmos meses de 2009. No acumulado do semestre, o lucro contábil somou R$ 4,508 bilhões, um aumento de 12,1% sobre o mesmo período do ano passado. Ao final do semestre, os ativos totais do banco somavam R$ 558,1 bilhões e o patrimônio líquido era de R$ 44,295 bilhões.

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