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SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em terreno negativo nesta quinta-feira. Às 14h34, o índice Ibovespa, principal referência da bolsa paulista, caia 1,29%, aos 65.656 pontos.


A baixa da Bovespa reflete o clima externo negativo ao mesmo tempo em que os investidores assimilam a medida do governo de cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% a partir desta quinta-feira na emissão de recibos de ações de empresas brasileiras negociados no exterior (Depositary Receipts, DRs).

A medida, anunciada quarta à noite, tem por finalidade eliminar a assimetria de custos que passou a existir quando o governo taxou com IOF de 2% a entrada de capital externo na Bolsa e na renda fixa, no dia 20 de outubro. Para escapar do pagamento de 2%, os investidores compravam ADRs e depois cancelavam o recibo e o banco custodiante emitia a ação. Com isso, o investidor estrangeiro conseguia negociar ações na Bovespa sem recolher o IOF.

"O governo está fechando uma brecha deixada pela primeira taxação do IOF, corrigindo uma distorção que prejudicava os negócios na Bolsa", afirma um operador. Esse é exatamente o objetivo do governo.

Segundo nota do Ministério da Fazenda, divulgada quarta, a medida tem o mérito de reduzir o incentivo à emissão de novos DRs no exterior, restabelecendo em parte o equilíbrio dos mercados. "Corrige distorções de mercado, tratando de forma mais próxima possível a negociação no exterior de DRs representativos de ações brasileiras e a negociação de ações por investidor estrangeiro em Bolsas de Valores no Brasil", conclui a nota.

Para a Gradual Corretora, a taxação de IOF de 1,5% sobre os ADRs de empresas brasileiras deverá reverter o movimento de migração de negócios da Bolsa brasileira para a Bolsa norte-americana. Desta forma, a notícia é vista como positiva para as ações da BM&FBovespa, com a recuperação dos volumes transacionados envolvendo as empresas listadas na Bovespa que têm ADRs nos Estados Unidos.

Dólar

O dólar comercial opera em terreno positivo nesta quinta-feira. Às 14h30, a moeda norte-americana subia 1,11% e era vendida a R$ 1,736. Na quarta, o dólar fechou negociado a R$ 1,717 para venda.

A taxação de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre emissão de DRs foi vista pelo mercado de câmbio como uma medida que visa atender a bolsa, impedindo distorções entre as negociações de ações feitas aqui e no exterior. Para o câmbio, num primeiro momento, a novidade é neutra e só acirra a expectativa por novas medidas que visem conter a valorização do real.

No exterior, o dia é de cautela e alta do dólar ante a maioria das moedas. Por isso, não está descartada uma aceleração da valorização registrada na abertura. Principalmente, se os indicadores dos Estados Unidos não tiverem força para melhorar o ambiente internacional de negócios.

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