Usiminas, Gerdau, BB e telefonia influenciam negócios. Europa sobe com demanda de bancos por financiamento

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) diminuiu os ganhos nesta tarde, influenciada pela virada nos Estados Unidos. O IBovespa- principal índice da bolsa paulista - opera de lado, mas ainda com ganho de 0,19%, cotado em 62.096 pontos (às 15h40).

O ligeiro ganho segue-se a fortes perdas da terça-feira, quando a Bolsa fechou com -3,50%. A abertura foi de indecisão, não só por causa da insegurança dos investidores quanto à saúde da economia global, mas também devido ao forte noticiário corporativo doméstico, que tende a imprimir um ritmo próprio a alguns papéis do índice Bovespa.

A leve melhora das bolsas pelo mundo, que chegou a ser ameaçada pela pesquisa sobre o emprego no setor privado dos Estados Unidos pior do que o estimado, decorre da demanda abaixo do esperado dos bancos pelos financiamentos de três meses ofertados pelo Banco Central Europeu (BCE) um dia antes do vencimento da linha de crédito especial de 12 meses, de 442 bilhões de euro, da autoridade monetária.

O BCE tornou disponível hoje 131,9 bilhões de euros, abaixo da previsão de 200 bilhões de euros em empréstimos de curto prazo, dissipando as preocupações sobre a saúde do sistema bancário e a liquidez no mercado.

Um sinal de como o mercado está sensível aos indicadores macroeconômicos, especialmente de emprego, foi reação negativa à pesquisa ADP, que apontou a criação de 13 mil vagas em junho, bem menos do que os 60 mil postos de trabalho previstos pelos analistas. Eles ponderam ainda que o mercado, principalmente a Bovespa, que tem forte exposição às commodities, ainda se ressente da perspectiva de menor crescimento para a China, após a revisão do dado antecedente do Conference Board sobre o país.

"O mercado está num nível perigoso e prova disso é que depois de uma queda forte como a de ontem, em que o Dow Jones caiu mais de 2% e o S&P 500 mais de 3%, a recuperação sinalizada para esta quarta-feira não está à altura do tombo da véspera", disse um especialista. A queda do Ibovespa ontem, de 3,5%, foi a maior desde fevereiro.

Hoje, além do exterior, a Bovespa deve ter um dia agitado pelo lado corporativo. O setor de mineração repercute a venda de 30% do capital social da Mineração Usiminas para a Sumitomo Corporation, por meio da subscrição de novas ações, pelo preço total de até US$ 1,929 bilhão, dos quais US$ 579 milhões estão condicionados a confirmação de eventos futuros.

A Usiminas anunciou que fará a segregação de seus negócios de mineração e logística ferroviária. Nos últimos pregões, Usiminas vinha chamando atenção pela forte valorização dos papéis, na contramão do setor. A dúvida, portanto, é se os papéis já não teriam embutido nos preços essa venda. Nos últimos cinco dias, Usiminas PNA acumula ganho de 4,63% ante queda de 3,43% da CSN e 6,60% da Gerdau. Às 11h20, Usiminas PNA, que subia no começo do pregão, virou e caía 0,60%, a R$ 49,40.

Também esta manhã, a Gerdau anunciou que assinou acordo definitivo para adquirir todas as ações da Gerdau Ameristeel que ainda não são de sua propriedade por um preço de US$ 11,00 por ação em caixa, em dinheiro, com o objetivo de fechar o capital desta empresa. Gerdau PN subia 1,09%, para R$ 24,03.

O setor de telefonia, por sua vez, deve refletir o veto do governo português à venda da Vivo para a Telefónica. O governo português usou a Golden share (ações com poder de veto) que detém na Portugal Telecom para tomar essa decisão na assembleia extraordinária de acionistas da empresa portuguesa realizada hoje. Com o veto do governo, ficou mantida a participação de 50% que a PT tem na Brasilcel, joint venture entre a empresa portuguesa e a espanhola que controla a maior empresa brasileira de celulares, a Vivo. Vivo, que caía no começo do pregão, virou e subia 1,14%, a R$ 47,84.

Hoje também é um dia importante para as ações do Banco do Brasil, pois será definido o preço por ação na oferta primária e secundária. Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, havia a sinalização de que o valor ficaria por volta de R$ 26,50. No entanto, com a piora no humor dos investidores, verificada ontem, o banco pode ter de aceitar um preço menor. Com base na cotação de fechamento de ontem (R$ 25,50), o BB pode obter pouco mais de R$ 10 bilhões com a operação. Fontes observaram que, enquanto os investidores estrangeiros mostravam grande interesse pela operação, no varejo, cujo período de reserva terminou ontem, a procura pelos papéis foi fraca, mas nada que ameace a colocação dos papéis. As ações do BB, que subiam, viraram e passaram a cair 0,39%, a R$ 47,84.

EUA

Um número pior do que o esperado por analistas em relação ao emprego no setor privado dos Estados Unidos pressiona o investidor. Após abertura em queda, às bolsas viraram, operaram em ligeira alta, mas voltaram a cair . Às 15h40, Dow Jones caía 0,15%, S&P500 trecuava 0,01% e Nasdaq perdia 0,06%.

Os futuros em NY subiram no início da manhã impulsionados pela notícia de que a demanda dos bancos europeus pelos financiamentos de três meses do Banco Central Europeu (BCE) foi menor do que se previa, o que trouxe certo alívio às preocupações com o sistema bancário na região. Mas a notícia de que o que o setor privado dos EUA criou 13 mil vagas em junho e não 60 mil, como se esperava, foi um balde de água fria e pode ser o prenúncio de mais dados amargos no relatório amplo do governo, que sai na sexta-feira.

Europa

As principais bolsas europeias fecharam em leve alta, refletindo a diminuição dos temores com a saúde do setor bancário da região, após a baixa aceitação no leilão de refinanciamento para três meses do Banco Central Europeu (BCE). Os ganhos foram limitados, no entanto, uma vez que os investidores digeriram dados mistos dos Estados Unidos, em meio às preocupações com o vencimento do programa extraordinário de empréstimos bancários do BCE amanhã. Depois de atingir 245,55 pontos mais cedo na sessão, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 0,3%, para 243,32 pontos.

Ásia

O desempenho da China voltou a pautar os mercados asiáticos nesta quarta-feira, que fecharam em baixa. Também pesou a forte queda em Wall Street. Não houve negociações nas Filipinas por ser feriado.A Bolsa de Hong Kong sofreu com as preocupações sobre a retomada econômica chinesa. O índice Hang Seng caiu 119,91 pontos, ou 0,6%, e terminou aos 20.128,99 pontos. No mês, o índice acumulou alta de 1,8%. No segundo trimestre, contudo, a baixa foi de 5,2%.

Dólar

A moeda americana cai nesta quarta-feira, com a diminuição da aversão ao risco entre os participantes do mercado, causada por boas notícias advindas da Europa. Por volta das 15h35, o dólar comercial tinha desvalorização de 1,68%, cotado a R$ 1,7957 na compra e a R$ 1,7948 na venda.

Ontem, as preocupações com a economia chinesa aumentaram a demanda por ativos de menor risco, elevando o preço da divisa americana. No entanto, segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, "os investidores viram que o cenário não é tão preocupante e que houve um exagero". Para ele, acontecimentos e indicadores relativos à economia europeia mudaram o rumo do mercado de câmbio nesta quarta-feira e reduziram os temores quanto à recuperação mundial.

Um leilão promovido pelo Banco Central Europeu (BCE) minimizou os temores do mercado com relação à saúde dos bancos na Europa. Além disso, a agência de estatísticas Eurostat apontou que o índice de preços ao consumidor na zona do euro deve avançar 1,4% em junho, na comparação com um ano antes. A projeção sugere um abrandamento no ritmo de alta do indicador já que, em maio, a inflação foi de 1,6%.

(com agências)

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