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SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem um pregão de fortes quedas nesta sexta-feira, após disparar quase 6% ontem. Às 15h41, o índice Ibovespa ¿ a principal referência da bolsa paulista ¿ recuava 4,26%, aos 60.999 pontos. Na quinta-feira, o otimismo dos investidores com o crescimento maior que o esperado da economia norte-americana no terceiro trimestre fez a Bovespa ter a maior alta diária dos últimos cinco meses: 5,91%, aos 63.720 pontos.

O desempenho da Bovespa acompanha o pessimismo no mercado externo - os índices norte-americanos estão em baixa de mais de 2% -e também é influenciado pela divulgação de balanços corporativos locais nesta sexta.

A Embraer apresentou lucro líquido de US$ 57,7 milhões no terceiro trimestre, pelo padrão contábil norte-americano US Gaap.

De acordo com o analista Alan Cardoso, da Ágora Corretora, as margens da companhia vieram bem abaixo das estimativas, por conta da desvalorização do dólar em relação ao real e um mix de receitas mais fraco que o usual. "Como a empresa vinha apresentando um desempenho muito melhor em relação à média do setor, qualquer resultado mais fraco afetaria as ações", afirma.

A TIM Participações também anunciou lucro líquido de R$ 60,811 milhões entre julho e setembro, ante prejuízo de R$ 12,053 milhões no mesmo período do ano passado.

Para a analista Maria Tereza Azevedo, da Link Investimentos, em linhas gerais a TIM continua bem sucedida na mudança estratégica adotada após os fracos resultados de 2008. Ela acredita, porém, que o balanço da Vivo, previsto para o próximo dia 5 de novembro, deve superar o da concorrente.

Realização

Esse último pregão de outubro antecede um final de semana prolongado no Brasil, por conta do feriado de segunda-feira (Finados), e a semana que vem reserva uma bateria de indicadores importantes nos Estados Unidos e balanços. Segundo analistas, uma pequena realização de lucros nesta sexta-feira seria até natural depois da alta de quinta.

Ao mesmo tempo em que acompanham o mercado externo, os investidores não desviam as atenções do fluxo financeiro. Mesmo com a arrancada de ontem, o Ibovespa ainda não se recuperou totalmente da perda desde que a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) começou a vigorar, no dia 20.

Na primeira semana do IOF, até o dia 27, a Bovespa caiu 6,06% e teve uma retirada de R$ 2,934 bilhões de capital estrangeiro. No dia 19, antes da taxação, o Ibovespa havia cravado a máxima do ano, 67.239 pontos, e no dia seguinte, desceu para 65.485 pontos.

Dólar

Já o dólar registrou leve queda na abertura dos negócios e, por volta das 15h30 a moeda era negociada a R$ 1,757, em alta de 1,50%. Na quinta-feira, o dólar fechou cotado a R$ 1,731 para venda, em baixa de 1,36% frente ao real. Foi a maior queda diária em quase três meses.

A agenda externa pesada da semana que vem imprime cautela desde já nos negócios. No mercado de moedas, isso está se traduzindo numa pequena alta do dólar ante a maioria das demais divisas, enquanto o real se valoriza na abertura.

Outros mercados

Os índices do mercado de ações dos Estados Unidos operam em baixa, em meio ao declínio nos papéis de empresas ligadas aos segmentos de matérias-primas e do setor financeiro - que puxaram os ganhos nas bolsas ontem - e a indicadores mistos sobre a economia norte-americana.

Às 14h35 (de Brasília), o Dow Jones caía 2,24% e o Nasdaq recuava 2,36%.

Uma série de dados foram divulgados nesta manhã. Os gastos pessoais dos norte-americanos caíram 0,5% em setembro ante agosto, o maior declínio desde dezembro do ano passado, enquanto a renda pessoal ficou estável, ambos em linha com o previsto.

O núcleo do índice de preços para gastos com consumo (PCE) subiu 0,1%, abaixo da alta de 0,2% prevista. Além disso, o custo da mão de obra aumentou 0,4% no terceiro trimestre ante o segundo, um pouco abaixo da alta de 0,5% estimada.

Nesta sexta-feira, a maioria das bolsas de valores da Ásia terminou em alta , após registrar a pior queda em dois meses, com investidores encorajados pelo retorno dos EUA ao crescimento econômico , o que reforçou a confiança sobre a força da recuperação.

Um novo e esperado índice ao estilo do Nasdaq americano, o ChiNext, iniciou a cotação , gerando grande interesse entre os investidores com as 28 pequenas e médias empresas que compõem o mesmo.

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