Incertezas quanto à Grécia e ao crescimento chinês pressionam os mercados. Commodities são afetadas e derrubam ações brasileiras

A Bovespa cai em torno de 2,90% nesta terça-feira. Uma séria de fatores contribui para um pessimismo generalizado dos mercados, segundo analistas, mas os principais são a falta de confiança dos investidores no pacote de socorro à Grécia e notícias negativas relacionadas à economia chinesa. Às 14h30, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa, estava em 65.187 pontos. Se fechar neste nível, será o mais baixo em quase três meses, desde 10 de fevereiro, quando encerrou aos 65.051 pontos.

“O aumento da desconfiança em relação ao plano de ajuda europeu à Grécia e o começo da desvalorização da economia chinesa são os principais motivos para a queda da bolsa brasileira" na opinião de Richard Wahba, estrategista de investimento da Fator Corretora.

"As quedas na China e na Europa, que são grandes compradores, pressionam as commodities”, afirma. Pedro Galdi, analista da SLW, acrescenta que cerca de 50% do Ibovespa está relacionado a commodities. As ações da Petrobras e da Vale, que representam aproximadamente 26% do Ibovespa, são fortemente atingidas. Às 12h13, os papéis preferenciais da petrolífera brasileira caíam 4,06%, para R$ 30,22. Se fechar neste patamar, será o menor desde 15 de julho do ano passado. Já as ações preferenciais da Vale despencavam 3,86%, para R$ 43,60. “Todas as commodities estão em queda, a prata cai 4%, o cobre 3%, os alimentos também”, comenta Galdi.

No caso da Petrobras, os esforços do governo para acelerar a capitalização da empresa também tiveram impacto negativo nas ações. “O papel derreteu com incertezas do mercado”, afirma Galdi, da SLW. Na segunda-feira, o banco JP Mongan rebaixou os papéis da estatal de “acima da média” para “neutro”. Em dois dias, as ações preferenciais da companhia recuam em torno de 8%.

Dados positivos da produção industrial brasileira no primeiro trimestre, divulgados nesta terça-feira, não aliviam os mercados. “Os investidores, em geral, não olham para isso”, diz Wahba, da Fator. Além do peso das commodities, a grande participação de investidores estrangeiros na Bovespa ajuda a explicar a forte influência do clima externo no mercado brasileiro. No final de abril, os investidores estrangeiros correspondiam a 28% do volume movimentado na Bovespa e, em todo o mês passado, retiraram R$ 1,078 bilhão da Bolsa brasileira .

Europa

Na Europa, os mercados tiveram a maior queda em dois meses nesta terça , com os investidores vendendo seus papéis com receio de contágio da economia grega a outras economias européias. O cenário é agravado pela afirmação da Comissão Europeia de que os 110 bilhões de euros não resolverão o problema da Grécia.

“Os grandes credores das economias dos PIGs são os bancos. Se a economia da Grécia quebrasse, por exemplo, o governo teria que ajudar os bancos alemães”, diz Galdi, explicando como uma economia "contagia" outra. "Além disso, o euro desvalorizado afeta todos os países", acrescenta. A bolsa de Atenas desabava mais de 7% no final do pregão desta terça-feira. “O pessoal já está esperando o S&P rebaixar a Irlanda”, acrescenta o analista da SLW.

“Com a ajuda, a Grécia fica numa situação menos dramática do que antes, mas o cenário é de desconfiança. O país tem três anos para organizar a casa e terá que lançar mecanismos muito forte de controle”, afirma Galdi.

China

Na China, um índice mede o desempenho do setor manufatureiro do país, compilado pelo HSBC, ficou em 55,4 em abril, ante os 57 de março, o que gera dúvidas em relação ao ritmo de crescimento do país.

Também pesa o fato de o governo ter elevado pela terceira vez neste ano o depósito compulsório, que é a quantidade de dinheiro que as instituições financeiras devem deixar imobilizada no banco central, sem emprestar a seus clientes. O objetivo da medida é tentar afastar os riscos de superaquecimento da economia.

“Isso assusta o mercado, porque a China continua sendo grande consumidor de commodities”, diz Galdi.

Austrália

A decisão da Austrália de criar um imposto sobre lucros também contribui para exercer pressão para baixo nos mercados, segundo o analista da SLW. O imposto pode afetar operações de mineração em terra no país, o que afeta as commodities. “Isso bateu em todas as ações de mineradoras e siderúrgicas, ainda ontem”, afirma.

EUA

Nos Estados Unidos, os índices acionários das Bolsas de Nova York registram quedas superiores a 2%, com o Nasdaq perdendo mais de 2,93% no início da tarde, pressionado por ações relacionadas ao setor de energia, que recuavam em consequência do declínio dos preços do petróleo. Dow Jones tinha variação negativa de 1,91% por volta de 13h. “Apesar de dados fortes da economia norte-americana, a questão do Goldman Sachs ainda preocupa”, acrescenta Galdi, da SLW.

(Com agências)

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