Ações da Petrobras recuam 4,5%; Vale perde 3,5%

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai 3,04% nesta terça-feira. Os investidores adotam maior cautela no cenário externo, ainda preocupados com a situação europeia e também atentos à evolução da economia chinesa. Internamente, papéis da Petrobras e da Vale caem mais de 3,5%. Por volta de 11h54, o Ibovespa registrava 65.078 pontos, menor patamar desde 10 de fevereiro. Na segunda-feira, o principal índice da bolsa brasileira caiu 0,61%, aos 67.119 pontos.

Ontem, o índice foi pressionado principalmente pela Petrobras, que viu seus papéis preferenciais despencarem 3,96%, atingindo R$ 31,50, a menor cotação desde o dia 1º de setembro de 2009 em meio a novas incertezas sobre o processo de capitalização e a um rebaixamento da recomendação do JP Morgan. Marcelo Coutinho, sócio-presidente do YouTrade teme que as ações da Petrobras (PETR4) rasguem o suporte de R$ 30,45. “Tanto o gráfico semanal quanto o diário apontam que, caso isso ocorra, buscará um objetivo de R$ 24,77”, afirma. Nesta terça, as ações recuavam 4,54% às 11h45, para R$ 30,07.

As ações da Vale também recuam nesta terça, pressionadas pela queda das commodities metálicas. Por volta de 11h45, os papéis ordinários da companhia recuavam 3,57%, para R$ 49,93, enquanto os preferenciais caiam 3,51%, para R$ 43,76.

Por outro lado, resultados da  produção industrial brasileira divulgados nesta mostram que a crise que abalou a economia mundial após setembro de 2008 já é passado para a indústria. No primeiro trimestre de 2010, a  cresceu 18,1% e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente no mês de março, a alta frente a fevereiro foi de 2,8%. O resultado de março foi influenciado pela produção de Bens de Capital e pelos Bens de Consumo. 

"Ambos os grupos reforçam nossa leitura base de que o crescimento por aqui está sendo puxado pela demanda doméstica e reiteram que a absorção doméstica está acelerada", comentam os economistas da Gradual Investimentos. Diante de dados positivos econômicos, os economistas estão revisando as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano. "Trabalhamos com 2,2% no primeiro trimestre de 2010 e com 5,4% para o ano, mas uma revisão preliminar sugere que podemos chegar a mais de 6% em 2010", afirmam.

O IPC-FIPE de abril, também divulgado nesta terça, fechou em 0,39% em abril, abaixo da projeção dos economistas da Gradual, que estimavam 0,44%.

No cenário corporativo, a construtora PDG Realty chegou a um acordo nesta segunda-feira para assumir o controle de sua rival Agre em uma transação avaliada em R$ 2,43 bilhões, segundo comunicado. A incorporação criará a maior empresa do setor imobiliário do País.

Também nesta terça, o banco Itaú Unibanco , maior banco privado do Brasil, anunciou alta de 60,5% no lucro líquido do primeiro trimestre contra igual período do ano passado, para R$ 3,2 bilhões.

Dólar

O dólar comercial iniciou a sessão desta terça-feira em alta. A divisa americana era cotada a R$ 1,743 na venda por volta de 10h30, avanço de 1,6%.

Mercados internacionais

Os mercados da Ásia registraram queda nesta terça-feira, novamente influenciados pelo aumento do depósito compulsório anunciado pela China, no domingo, como tentativa de conter a pressão inflacionária. Não houve negociações no Japão por ser feriado.

Além disso, o setor manufatureiro chinês cresce a uma taxa mais moderada. O índice de gerentes de compra do HSBC, que mede o desempenho do segmento, ficou em 55,4 em abril, ante os 57 de março.

Na Europa, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 0,6% em março, em comparação com fevereiro, segundo informou hoje a agência de estatísticas europeia, a Eurostat. Houve um aumento de 0,9% em relação a março do ano passado. Este foi o sexto mês consecutivo de alta e o aumento anual foi o maior desde dezembro de 2008. Os números ficaram em linha com as estimativas dos economistas. No entanto, preocupações em torno da economia grega continuam a trazer cautela ao mercado.

(Com agências)

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