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Bovespa cai 2% puxada por empresas de commodities

Aumento dos juros na China pressiona as ações, enquanto o IOF pesa sobre financeiras; às 16h15, o Ibovespa estava em 70.123 pontos

iG São Paulo |

A forte baixa dos preços das commodities, desencadeada pelo aumento dos juros da China, dita o rumo negativo das bolsas nesta terça-feira. No Brasil, a maior parte dos papéis do Ibovespa operam no vermelho, com destaque para os de empresas ligadas a commodities e também do setor financeiro. Por volta das 16h15, o Ibovespa perdia 2,25%, para 70.123 pontos.

O volume financeiro negociado estava em torno de R$ 5,12 bilhões. Na mínima do dia, o índice já atingiu 70.541 pontos. Em Wall Street, as bolsas também continuam a operar em queda, não apenas de olho na China, mas também na série de balanços corporativos divulgados entre ontem à noite e esta manhã.

Minutos atrás, o índice Dow Jones recuava 1,67% e o S&P 500 se desvalorizava em 1,65%, enquanto o Nasdaq cedia 1,82%.

O diretor da Futura Corretora, André Ferreira, avalia que nos Estados Unidos os resultados divulgados até o momento estão sendo positivos, com destaque aos do setor financeiro. Já o balanço da Apple, segundo ele, superou as expectativas, em termos de resultados, mas decepcionou nas vendas do iPad.

O lucro líquido da Apple no quarto trimestre cresceu para US$ 4,3 bilhões (US$ 4,64 por ação) ante um ganho de US$ 2,5 bilhões, ou US$ 2,77 por ação, no mesmo período do ano passado. A Apple, entretanto, vendeu 4,2 milhões de unidades de seu tablet durante o quarto trimestre fiscal, menos do que o volume de aproximadamente 5 milhões que os analistas, em média, estimavam.

Commodities

"A alta de juros na China é o grande influenciador da queda das bolsas, principalmente porque está puxando a baixa das commodities, com um impacto na desaceleração do ritmo de crescimento dos emergentes. De toda forma, a decisão é positiva para as commodities, que estavam subindo muito", apontou Ferreira.

Segundo ele, os investidores aproveitam as notícias para embolsar uma parte dos ganhos recentes e a decisão em si da China não representa uma preocupação. "O aumento dos juros veio numa ótima hora. Se o país eleva os juros, é porque enxerga um aquecimento maior que o esperado", comentou.

No front corporativo, entre as chamadas "blue chips", há pouco, os papéis preferenciais da Vale recuavam 2,20%, a R$ 48,02, e giravam R$ 639 milhões, enquanto as ações PN da Petrobras caíam 2,95%, a R$ 25,62, com total negociado de R$ 493 milhões.

Com o terceiro maior giro do dia, OGX Petróleo ON cedia 5,11%, a R$ 21,73, com volume de R$ 435 milhões. Entre as poucas altas do Ibovespa figuravam ações PN da Gol (0,75%, a R$ 29,43) e as ON da Natura (0,63%, a R$ 47,70).

Financeiras

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem duas novas medidas para tentar conter a valorização do real frente ao dólar. O governo vai elevar novamente, de 4% para 6%, o imposto sobre operações financeiras (IOF) de investidores estrangeiros em operações de renda fixa. Além disso, Mantega anunciou que o governo elevará, de 0,38% para 6%, o IOF incidente sobre o recolhimento de margens de garantia na BM&FBovespa para operações de investidores estrangeiros no mercado futuro.

A elevação pode não ter efeito prático sobre a renda variável, mas tende a pressionar as ações do setor financeiro e da BM&FBovespa, segundo analistas. Por volta de 16h10, os papéis ordinários da BM&FBovespa tinham queda de 2%, para R$ 14,22, e eram o quarto mais negociado, com cerca de R$ 247 milhões.

Dólar

O ajuste de alta no preço do dólar continua, conforme os agentes assimilam as novas medidas tomadas para conter a valorização do real e reagem a deterioração de cenário externo. Por volta das 16h20, o dólar comercial apontava alta de 0,61%, a R$ 1,683 na venda. Na máxima, a moeda foi a R$ 1,701.

(Com Valor Online e agências)

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