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Mercados caem decepcionados com a recuperação mundial. No Brasil, a Bolsa não resiste e perde os 66 mil pontos

A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) fechou em queda de 2,13% nesta quarta-feira e mostrou que o Brasil ainda não consegue caminhar sozinho quando o assunto é mercado acionário. Apesar de o País ter bons fundamentos e apresentar um crescimento sustentável, momentos de tensão no exterior continuam a abalar o mercado brasileiro. Nesta quarta-feira, as bolsas globais são derrubadas pela decepção dos investidores com o ritmo de recuperação dos países desenvolvidos, sobretudo dos Estados Unidos, e com as soluções que os bancos centrais têm para acelerar suas economias, segundo analistas.

“Os bancos centrais e governos fizeram tudo o que tinha que ser feito. O que a gente precisa agora é que essas medidas ajam. Mas isso leva tempo, e o mercado está impaciente”, diz André Perfeito, economista da Gradual Investimentos. Além disso, os investidores se preocupam com dados da China, que mostram desaceleração da economia do país asiático.

No final do pregão, as principais bolsas norte-americanas perdiam mais de 2%, com a Nasdaq caindo 3,01%. No Brasil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, movimentou R$ 5,304 bilhões e caiu para 65.790 pontos, depois te ter atingido um dos níveis mais altos do ano na última semana, de 68.517 pontos, após 11 dias seguidos de ganhos. Os analistas acresentam que o fato de a Bolsa ter subido bastante nas últimas semanas incentiva os investidores a vender suas ações e realizar lucros, temendo que a trajetória de queda continue. Na Europa , as principais bolsas fecharam com quedas superiores a 2%.

Estados Unidos

Na última semana, dados de emprego dos Estados Unidos vieram abaixo do esperado, e as bolsas se sustentaram por alguns dias na expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pudesse fazer algo para ajudar a economia, segundo José Góes, consultor econômico da WinTrade. “O Fed anunciou a compra de títulos do governo, mas o mercado esperava mais”, diz Góes. Ontem, quando anunciou a manutenção dos juros dos EUA , o Fed disse que irá recomprar Treasuries, os títulos do governo dos EUA. Para os analistas, a medida foi apenas complementar. “Não é um pacote novo”, diz André Perfeito. O banco central norte-americano também afirmou na terça-feira que o ritmo de recuperação da economia deve ser “mais modesto no curto prazo" do que o esperado.

Europa

Na Europa, o banco central inglês também não trouxe ânimo aos mercados. Nesta quarta-feira, a instituição anunciou que cortou sua previsão para o crescimento econômico da Inglaterra, justificando que os bancos estão lentos na concessão de crédito e que a recuperação econômica dos EUA e da Europa é incerta. Agora, a previsão é de um crescimento anual de 3% na economia inglesa, abaixo dos 3,6% previstos em maio.

China

Também contribui para a queda dos mercados nesta quarta-feira um sinal de desaceleração do crescimento chinês. O país asiático anunciou que a atividade industrial cresceu 13,4% em julho, o menor ritmo em 11 meses.

No Brasil, um dos fatores que contribui para pressionar a Bovespa, apesar de bons indicadores de renda, emprego, varejo e crédito, é o fato de a bolsa brasileira ter um grande peso de ações de empresas ligadas às commodites. Como são produtos que dependem muito de exportação, a economia externa tem uma forte influência no desempenho dos papéis, comenta Góes, da Wintrade. Além disso, o economista ressalta que as ações da Petrobras , que têm grande peso no Ibovespa, seguem pressionadas, enquanto os investidores aguardam a capitalização da empresa, prevista para setembro.

Dólar

No mercado cambial, o dólar registrou sua segunda alta seguida em relação ao real e fechou a R$ 1,776.


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