Papéis da estatal perdiam mais de 3% no final do dia. Bolsas norte-americanas e europeias caíram após dados ruins nos EUA

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,11% nesta quinta-feira, com destaque para as ações ordinárias da Petrobras, que no final do pregão tinham a segunda maior queda do Ibovespa - principal índice da Bolsa - de 3,65%, para R$ 30,36, e o maior volume de negócios, com R$ 672,9 milhões. O Ibovespa perdeu os 67 mil pontos e fechou aos 66.887 pontos, com um giro total de R$ 5,304 bilhões.

O embate entre a Petrobras e o governo federal para a formação do preço do barril de petróleo a ser cedido onerosamente pela União à estatal elevou a pressão sobre as ações da companhia. Além das indefinições sobre essa etapa no processo de capitalização da Petrobras, o governo já admite a possibilidade de adiar a operação novamente, desta vez para depois das eleições.

Fontes informaram à Agência Estado que o laudo que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) receberá nesta quinta-feira estima o valor do barril de petróleo da área de Franco, no pré-sal da Bacia de Santos, entre US$ 10 e US$ 12. Mas a Petrobras enviou um comunicado ao mercado em que contesta a informação, dizendo que “até o momento, qualquer discussão sobre o valor dos barris da cessão onerosa é mera especulação”. 

O valor está acima da previsão consensual do mercado, de US$ 5 a US$ 6. Se confirmado, o valor máximo estimado pela consultoria Gaffney, Cline & Associates (GCA), contratada pela ANP para avaliar a área que será repassada pelo governo à Petrobras, estaria bastante distante do que deverá constar do laudo da De Golyer and Mac Naughton, contratada pela Petrobras, para avaliar a mesma área. 

Duas alternativas estão agora em pauta. A primeira é adiar a capitalização da Petrobras para depois das eleições ou até que se encontre um consenso sobre o preço do barril a ser cedido de forma onerosa. Se a capitalização for adiada, será a segunda vez que isso ocorre. Inicialmente, a operação estava prevista para julho. Caso o cronograma seja mantido, com a operação ocorrendo até o dia 30 de setembro, o valor do barril deve chegar a um meio termo - entre US$ 8 e US$ 9. 

O operador da UM Investimentos, Paulo Hegg, comenta que o noticiário sobre a Petrobras é negativo e as ações devem terminar o dia com perda, mesmo depois de terem sido penalizadas nos últimos meses por causa das incertezas sobre a capitalização. "A operação terá de ser muito maior do que vinha sendo estimado pelo mercado e não se sabe se terá liquidez suficiente", avalia. 

Para o economista da da Legan Asset, Fausto Gouveia, o adiamento da capitalização até mesmo para o ano que vem deve permitir que as ações da Petrobras voltem a respirar, adiando os efeitos negativos sobre os papéis para o médio prazo. "Se ficar para o ano que vem, tira-se a pressão da diluição dos acionistas e os riscos de a estatal perder o rating (classificação de risco) é baixo", afirma. Porém, ele lembra que muitos fundos de investimento têm se desfeito do papel, deixando a oferta da companhia mais sensível ao apetite dos investidores, sobretudo estrangeiros. 

Estados Unidos

O comportamento dos mercados no exterior também foi observado pelos investidores. O aumento inesperado nos pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos Estados Unidos inverteu o sinal positivo dos mercados internacionais

O número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiu maior nível desde novembro de 2009 (500 mil solicitações), o que inverteu o sinal dos índices futuros de Nova York e também das praças europeias. Também pressionou as bolsas norte-americanas o dado de atividade industrial de Philadelphia que teve uma queda inesperada.

No final da tarde, a Nasdaq perdia 1,66%, o Dow Jones caía 1,39% e S&P 500 tinha desvalorização de 1,69%. Na Europa , o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 1,44% e fechou em 253,90 pontos.

Dólar

O dólar comercial fechou negociado a R$ 1,756 hoje no mercado interbancário de câmbio, alta de 0,17% no dia. No mês, a moeda registra leve ganho de 0,06% e no ano acumula alta de 0,75%.

(Com Agência Estado)

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