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Realização de lucros e Petrobras pressionam mercado brasileiro nesta sexta

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu a sexta-feira em ligeira alta. No entanto, por volta de 15h30, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa, registrava perda de 0,43%, aos 71.478 pontos, contrariando o desempenho positivo dos mercados externos. O movimento negativo da Bovespa pode ser explicado, em parte, por um movimento de realização de lucros e pela queda do preço do petróleo, que pressiona as ações da Petrobras.

"Ontem a Bovespa teve uma alta robusta, de 1,40%, então o movimento de hoje pode ser explicado, em parte, por realização de lucros, uma vez que as notícias externas são positivas", diz André Perfeito, economista da Gradual Investimentos. Na quinta-feira, o Ibovespa renovou o recorde de 22 meses ao fechar em 71.784 pontos. No exterior, o clima é positivo, com dados bons dos Estados Unidos e da Alemanha e notícias favoráveis vindas da China.

Além disso, a perspectiva de que a Grécia vai solicitar o apoio prometido pela União Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI) traz tranquilidade aos investidores. Na Europa, as principais bolsas de valores operam em alta nesta sexta.

Na China, há sinais de que o câmbio será alterado e que o país deixará sua moeda valorizar frente ao dólar. "Isto pode permitir que os exportadores norte-americanos ganhem espaço naquela economia asiática evitando assim que o gigantesco déficit comercial sino-americanao deteriore ainda mais a combalida economia norte-americana", comentam os economistas da Gradual Investimentos em relatório diário.

A maioria dos mercados asiáticos encerrou a semana em alta nesta sexta-feira. Os ganhos em Wall Street e a presença de investidores em busca de ofertas de ocasião influenciaram as principais bolsas da região. Não houve negociações nas Filipinas por ser feriado.

Além disso, Perfeito ressalta que o preço do petróleo está em queda, o que exerce pressão sobre as ações da Petrobras. Por volta de 15h11, as ações ordinárias da empresa recuavam 0,77%, para R$ 39,87, enquanto as preferenciais perdiam 0,89%, cotadas a R$ 35,49.

A semana que vem estará cheia de indicadores "que devem ter forte peso para cima", diz o economista da Gradual Investimentos. Dados econômicos da China, entre eles o Produto Interno Bruto (PIB), na quarta-feira, e dos EUA são esperados com otimismo.

"Como essa semana esteve esvaziada de indicadores, o mercado ficou solto e alguns acontecimentos tiveram maior peso do que, de fato, mereciam. Mas a semana que vem deverá ser positiva", comenta Perfeito. Na opinião dele, a Grécia é um desses casos: "É fantasioso pensar que o país vai quebrar. As forças políticas envolvidas sao muito fortes e vão querer o problema resolvido", afirma.

Dólar

O dólar comercial operava em baixa de 0,11% por volta de 15h13 desta sexta-feira, cotado a R$ 1,775 para venda. Além do ambiente internacional favorável, os investidores do mercado doméstico de câmbio continuam contando com a perspectiva de fluxo positivo para explicarem sua preferência em vender dólares e assumir posições em ativos nacionais: seja o real, sejam as ações negociadas na Bovespa. Os anúncios de captações externas surgem todos os dias no mercado.

Para justificar compras, no momento, só a percepção de que o Tesouro e o Banco Central (BC) podem intensificar compras de moeda a qualquer momento. Ou eventuais noticias negativas no exterior. Mas hoje a agenda é fraca e não é esperado nada de mais importante.

Na quinta-feira, o dólar fechou em leve queda de 0,06% frente ao real, cotado a R$ 1,777.

(Com Agência Estado)

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