Temor sobre dívidas soberanas da zona do euro e desaceleração no ritmo de crescimento levam a venda de ações e compra de ouro

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As Bolsas europeias fecharam em forte queda. Os receios sobre as dívidas soberanas da zona do euro e a desaceleração no ritmo do crescimento econômico fizeram com que os operadores vendessem ações e comprassem ouro. O setor bancário, em particular, teve um desempenho ruim. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 3,82 pontos (1,44%) e fechou em 261,19 pontos.

Ontem, após o fechamento dos mercados na Europa, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) disse que o ritmo da recuperação na produção e no mercado de mão de obra desacelerou nos últimos meses. O Fed também afirmou que está "preparado para fornecer um acomodação adicional para dar apoio à recuperação econômica, se necessário".

"Eu acho que o mercado esperava que o Fed anunciasse que vai começar outro programa de afrouxamento quantitativo", disse Christian Tegllund Blaabjerg, estrategista-chefe para ações do Saxo Bank. Como o Fed não fez isso, o mercado devolveu os ganhos recentes. "Eu acredito que teremos uma correção de curto prazo agora, e então, nas próximas duas semanas, os mercados talvez subam, por causa da expectativa de lucros fortes das empresas no terceiro trimestre", acrescentou.

Os receios sobre a dívida soberana de alguns países da Europa também voltaram ao foco, com o spread dos swaps de default de crédito (CDS) da Irlanda atingindo um novo recorde. Os spreads de Portugal e Espanha também aumentaram.

Para Philippe Gijsels, diretor de pesquisa da BNP Paribas Fortis Global Markets, enquanto a temporada de balanços do terceiro trimestre não começa, o mercado de ações deve "ficar mais ou menos preso a um fluxo de notícias negativas", com foco nos dados econômicos.

O índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 24,28 pontos (0,44%), em 5.551,91 pontos, embora tenha se recuperado da mínima de 5.515,86 pontos. A seguradora Aviva perdeu 4,80%, o banco Barclays caiu 1,57% e o Lloyds recuou 1,37%. A Essar Energy teve queda de 2,59%.

Com os investidores fugindo das ações e do dólar, o ouro está em alta forte, o que beneficiou as mineradoras (Antofagasta +3,14%, Randgold Resources +2,85%, Kazakhmys +2,93%, Rio Tinto +2,31%, BHP Billiton +2,09% e Xstrata +2,66%). "Com as projeções econômicas cautelosas - na melhor das hipóteses - e a turbulência nos mercados de câmbio, pode-se esperar que os investidores se dirijam para o ouro e ações consideradas defensivas, por enquanto", disse Will Hedden, da IG Index.

Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra DAX fechou em queda de 67,65 pontos (1,08%), em 6.208,33 pontos. A alta do euro frente ao dólar pesou sobre o mercado. As ações da Daimler perderam 1,72%, apesar de a empresa negar que esteja interessada em comprar a unidade de veículos industriais da Fiat. As da Siemens recuaram 2,78%, depois de a empresa anunciar, na noite de ontem que terá um gasto de quase € 1,4 bilhão com sua unidade de diagnósticos laboratoriais no quarto trimestre. O Commerzbank teve queda de 1,65%. A farmacêutica Merck KGaA caiu 2,17%. As ações da Infineon, do setor de tecnologia, subiram 2,67%, depois de a empresa dizer que suaa receita no quarto trimestre fiscal será maior do que o esperado.

O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, fechou em queda de 49,35 pontos (1,30%), em 3.735,05 pontos. O setor bancário do país teve um desempenho um pouco melhor do que no restante da Europa. Hoje a Moody's elevou a previsão para os bancos franceses para estável, de negativa. O BNP Paribas teve alta de 1,06% e o Natixis subiu 0,74%. Mesmo assim o Crédit Agricole perdeu 1,61% e o Société Générale recuou 1,69%. A Carrefour caiu 2,12% e a EADS teve queda de 3,37%.

Na Bolsa de Madri, o índice Ibex-35 fechou em queda de 207,30 pontos (1,93%), em 10.555,20 pontos. O índice FTSE-MIB, da Bolsa de Milão, recuou 375,43 pontos (1,81%) e fechou em 20.365,30 pontos. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 caiu 46,07 pontos (0,62%) e fechou em 7.392,83 pontos. As informações são da Dow Jones.

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