As principais Bolsas europeias fecharam em queda, não conseguindo manter ganhos registrados mais cedo

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As principais Bolsas europeias fecharam em queda, não conseguindo manter ganhos registrados mais cedo. Os efeitos positivos dos dados econômicos melhores do que o esperado nos EUA foram superados pelos receios com a Irlanda e a Espanha. O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 1,30 ponto (0,50%) e fechou em 259,72 pontos.

As bolsas europeias subiram brevemente quando foram divulgados os dados sobre o nível de emprego nos EUA. O Departamento do Trabalho mostrou que o número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada no dia 25 teve uma queda de 16 mil, superando as expectativas dos analistas, de redução de 5 mil. Já o Departamento do Comércio revisou em leve alta o PIB dos EUA no segundo trimestre, para expansão anual de 1,7%, ante estimativa anterior de 1,6%. Além disso, o índice de atividade industrial do Instituo para Gestão de Oferta de Chicago subiu para 60,4 em setembro, de 56,7 em agosto.

Mas, perto do fim da sessão na Europa, as Bolsas norte-americanas viraram e passaram a operar no negativo, levando junto os mercados europeus. O setor bancário teve um dos piores desempenhos. O Banco Central da Irlanda disse que o custo total para salvar o Anglo Irish Bank é de 29,3 bilhões de euros (US$ 39,8 bilhões). Entretanto, em um chamado "cenário de estresse", o banco central estima que é possível uma perda adicional de 5 bilhões de euros para o Anglo Irish. O Allied Irish Bank vai precisar de 3 bilhões de euros até o fim do ano. As ações do Allied fecharam em queda de 8,9% na Bolsa de Dublin, após registrarem perda de 28% durante a sessão, quando o banco anunciou que pretende levantar 5,4 bilhões de euros. Mesmo assim, o índice ISEQ fechou em alta de 0,72%.

Já a Espanha teve seu rating de crédito rebaixado pela agência de classificação de risco Moody's para Aa1, de Aaa. Segundo a agência, as principais razões para o rebaixamento são as fracas projeções de crescimento para o país e a deterioração das finanças do governo.

"Mais do que o rebaixamento da Espanha, os receios de que a Grécia e a Espanha entrem em default (calote) ou precisem de ajuda da União Europeia são as maiores preocupações no momento", disse Juan Rodriguez-Rey, do Banco Sabadell-Ibersecurities. Segundo ele, esses receios estão relacionados a um cenário em que o crescimento da maioria desses países vai desacelerar na segunda metade do ano, assim como as preocupações se os EUA poderão combater uma possível deflação. "Os investidores estão cautelosos em relação aos mercados de ações, pois a situação macroeconômica para os próximos meses não está muito clara. Assim, nós vamos ter um baixo volume de negociação nos mercados, com os índices variando em uma ampla faixa".

O índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, fechou em queda, de 20,65 pontos (0,37%), em 5.548,62 pontos. Mesmo assim o índice subiu 6,19% em setembro. Nesta última sessão do mês, os papéis do banco Barclays caíram 1,85%, o HSBC recuou 0,62%, o Lloyds perdeu 0,24%, o Royal Bank of Scotland teve desvalorização de 1,42% e o Old Mutual registrou retração de 1,21%. O setor de mineração também teve um desempenho ruim (Xstrata -1,93%, Rio Tinto -1,09%, Anglo American -0,24%). A exceção foi a BHP Billiton, que conseguiu ganhar 0,15%. A petroleira BP avançou 1,62%, um dia após o novo executivo-chefe, Robert Dudley, anunciar uma série de mudanças, incluindo a substituição do chefe da unidade de exploração e produção.

Um ganho de 16% no FTSE-100 no terceiro trimestre levou muitos investidores a realizarem lucros, disse a Capital Spreads. "Com o começo de outubro amanhã, os investidores estão obviamente esperando algum tipo de queda. Quando ocorrem grandes vendas, elas geralmente acontecem no outono (no Hemisfério Norte)".

Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra DAX fechou em queda de 17,90 pontos (0,29%), em 6.229,02 pontos. No mês, o ganho do índice foi de 5,13%. As ações da mineradora Kali & Salz Beteiligungs hoje recuaram 1,50%. A fabricante de caminhões MAN perdeu 1,41% e a Volkswagen teve retração de 1,58%. No campo positivo, o Commerzbank ganhou 0,98% e o Deutsche Bank avançou 2,25%, após reiterar sua meta de lucro antes de impostos de 10 bilhões de euros para 2011. A siderúrgica ThyssenKrupp teve valorização de 1,42%.

O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, fechou em queda de 21,94 pontos (0,59%), em 3.715,18 pontos. Em setembro, o índice acumulou alta de 6,43%. Hoje, o setor bancário puxou o CAC para baixo (BNP Paribas -1,77%, Crédit Agricole -3,45%, Natixis -2,33%, Société Générale -2,27%). A EADS teve retração de 2,40%. A Michelin recuou 3,19%. A Sanofi-Aventis perdeu 1,19%. A empresa anunciou um acordo de 10 anos com a Covance para o setor de pesquisa e desenvolvimento, mas não deu indícios significantes sobre o plano de adquirir a Genzyme.

Na Bolsa de Madri, o índice Ibex-35 fechou em alta de 27,70 pontos (0,26%), em 10.514,50 pontos. O índice FTSE-MIB, da Bolsa de Milão, avançou 132,75 pontos (0,65%) e fechou em 20.505,20 pontos. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 subiu 31,57 pontos (0,42%) e fechou em 7.507,57 pontos. As informações são da Dow Jones.

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