No acumulado do ano, no entanto, Ibovespa sobe apenas 1,23%; euro é o segundo ativo mais valorizado em setembro, com 3,59%

A Bolsa foi a melhor aplicação em setembro. No mês, o Ibovespa, índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) subiu 6,58%, batendo de longe o ativo com a segunda melhor valorização, o euro, que acumulou alta de 3,59%. “A Bolsa tem mostrado um efeito gangorra. Sobe ou desce conforme o humor externo, sempre baseado nas perspectivas de crescimento dos Estados Unidos, da China e da Europa”, diz Fabio Colombo, administrador de investimentos.

A valorização dos ativos

Em setembro, em %

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Fonte: Fabio Colombo

Clodoir Vieira, economista-chefe da Corretora Souza Barros, lembra que as ações PNA da Vale, que tiveram alta de 11,75% no mês, influenciaram o Ibovespa. Além da Vale, os papéis preferenciais da Petrobras – que realizou a maior oferta pública de ações do mundo, captando R$ 120 bilhões – tiveram elevação de 4,72% em setembro. “Se juntarmos as ações das duas empresas, dá cerca de 34% do Ibovespa. Foi por isso que ele subiu.”

Para Kelly Trentin, chefe de análise da corretora Spinelli, o ganho da Bolsa em setembro não teve um motivo único e óbvio. Segundo ela, um dos fatores foi o fato de muitas empresas estarem com preços atrativos. “Em outubro, as companhias vão divulgar seus números referentes ao terceiro trimestre deste ano. Como os investidores esperam um resultado bom, isso acabou motivando a compra de ações”, afirma.

Kelly avalia que a perspectiva do mercado é boa, pois os investidores começam a antecipar as compras. Além disso, ela aponta o desempenho favorável das Bolsas dos EUA, o que têm uma influência positiva no mercado acionário brasileiro. Para Vieira, no curto prazo a Bolsa paulista ainda deve passar por um período de realizações, com os investidores aproveitando as altas recentes para vender e apurar lucros.

O ganho do euro, segundo Colombo, tem sido influenciado pelo movimento de desvalorização geral do dólar em relação às outras moedas no mundo. “Os Estados Unidos estão tentando resolver o deficit de sua balança comercial. E há disputa entre os países que não querem desvalorizar suas moedas em relação ao dólar. Isso afeta tanto o euro como o dólar (no mercado interno). Nós pegamos carona”, diz o administrador.

No ano, o euro vem se mantendo como o investimento mais rentável. De janeiro a setembro, acumula alta de 19,84%. Colombo afirma que os investidores internacionais têm procurado um ativo real diante dos atuais problemas cambiais em todo o mundo. “Daí a procura pelo metal e a conseqüente valorização.” A Bolsa acumula valorização de 1,23% no ano, enquanto o dólar cai 2,93% e o euro, 7,72%.


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