O mercado norte-americano de ações fechou em queda, mas com os principais índices bastante acima das mínimas do dia

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O mercado norte-americano de ações fechou em queda, mas com os principais índices bastante acima das mínimas do dia. O Dow Jones chegou a cair quase 150 pontos, mas recuperou dois terços daquela perda; o S&P-500 chegou a cair 1,4%, mas fechou em baixa de 0,60%. O dia foi marcado pela decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de voltar a comprar títulos do Tesouro dos EUA, mantendo seu balanço patrimonial estável ao reinvestir recursos obtidos no vencimento de títulos das agências semigovernamentais de crédito imobiliário (Fannie Mae, Freddie Mac e Ginnie Mae) e de títulos lastreados em hipotecas emitidos por essas agências.

Segundo Bob Froehlich, da The Hartford, os investidores mostraram alívio pelo fato de o Fed não ver necessidade de medidas mais drásticas, mas não estão certos de que o novo programa de recompra do Fed será suficiente para fomentar o crescimento econômico. "Com a taxa de desemprego se aproximando dos 10%, o Fed tinha que fazer alguma coisa. Mas o que realmente vai acontecer com a compra de Treasuries, eu não sei se elas terão um impacto importante", afirmou.

No blog thereformedbroker.com, Josh Brown lembrou a toupeira Phil, de Punxsutawney (Pensilvânia), retratada anos atrás no filme "Feitiço do Tempo": "Então, a toupeira do Fed saiu de seu buraco às 14h15, cheirou o ar, deu uma olhada nos indicadores e decidiu que haverá mais seis meses de política de pia de cozinha. Ele sem dúvida prevê uma continuação do inverno econômico. Notem como o Fed queria usar no comunicado a palavra 'deflação', mas como ele foi hábil ao conter essa tentação".

As ações do setor de tecnologia estavam entre as que mais caíram, especialmente as de fabricantes de semicondutores, depois de a Baird e o JPMorgan rebaixarem suas recomendações para Intel, devido à perspectiva fraca para as vendas de microcomputadores (Intel -3,92%, AMD -7,95%). As ações de empresas ligadas a insumos também caíram, em reação à queda das importações da China (Alcoa -2,66%).

O índice Dow Jones fechou em queda de 54,50 pontos (-0,51%), em 10.644,25 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 28,52 pontos (-1,24%), em 2.277,17 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 6,73 pontos (-0,60%), em 1.121,06 pontos.

O anúncio do Fed surpreendeu alguns participantes do mercado. Antes da reunião, os investidores estavam divididos sobre se o Fed anunciaria ou não novas compras de títulos do Tesouro. Alguns acreditavam que os indicadores fracos divulgados recentemente levariam o Fed a prometer que tentaria apoiar a recuperação econômica por meio de compras de Treasuries, como já havia feito entre o fim de 2009 e março deste ano, com compras de US$ 1,7 trilhão em títulos. Para outros, o Fed esperaria por mais indicadores antes de tomar qualquer decisão.

Na opinião de David Gilmore, da FX Analytics, a decisão do Fed de adiar a redução de seu balanço patrimonial, ao manter constante sua posição em títulos, é "principalmente simbólica". "É uma decisão importante na medida em que o Fed já não tem como meta primária uma determinada taxa de juros, mas um determinado tamanho de seu balanço patrimonial. Lembra-se de quando o Banco do Japão parou de ter uma meta para a taxa de juros e passou a mirar as reservas bancárias mantidas no próprio BoJ?". Ele disse que futuros afrouxamentos da política monetária do Fed envolverão aumentar o balanço patrimonial a partir da meta atual, enquanto apertos monetários virão na forma de reduções na meta do balanço patrimonial. As informações são da Dow Jones.

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