O mercado de ações do futuro mudará e refletirá melhor a economia brasileira, mas Petrobras continuará sendo Petrobras

Um mercado de ações mais pulverizado, que reflita mais a economia brasileira como um todo e que terá maior participação de empresas de consumo, serviços e agronegócios. Esse será o perfil da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) daqui a dez anos, segundo especialistas. Apesar das mudanças, o papel que sempre foi o mais negociado da Bolsa, tem tudo para continuar sendo a vedete dos investidores: o da Petrobras, é claro.

“O mercado de ações brasileiro estará mais líquido, terá mais regulação e maior participação das pessoas físicas em dez anos”, diz Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec-SP). Ele acredita que as taxas de juros devem continuar baixas, o que tornará o investimento em renda variável, como são conhecidas as ações na bolsa, mais atraente.

Além disso, na Bolsa do futuro, as ações que compõem o principal índice _o Ibovespa_ terão de lutar mais para aparecer por um simples motivo: haverá mais concorrentes disputando espaço. “O setor de consumo, por exemplo, crescerá em importância para ficar, em Bolsa, do tamanho de sua representatividade na economia”, afirma Lika Takahashi, coordenadora de análise de investimento e estrategista da Fator Corretora.

A previsão parece ser unânime. “O crescimento econômico ampliou a base de mercado no Brasil e trouxe muitos novos consumidores [e áreas de investimento]”, afirma Alexandre. Um setor correlato, que também deve se beneficiar da expansão econômica, é o de serviços, como financeiros, de saúde e educação.

A pulverização de setores presentes no Ibovespa, aposta dos especialistas, faz parte de um processo que vem ocorrendo há pelo menos quatro décadas no Ibovespa (ver tabela). Na carteira do começo de 1980, as ações com fatia superior a 3% no índice eram cinco. Este ano, são nove.


Brasil agrícola

O setor de agronegócios será a grande “novidade” da Bolsa do futuro. O segmento já começa a deixar suas marcas, com empresas como Cosan, São Martinho e SLC Agrícola. A tendência, dizem os analistas, é de ampliação de fatia. “Há certa atividade de companhias de investimento privado (private equity) nesse setor, que também não tem, em Bolsa, o peso que possui na economia”, afirma Lika.

No momento, várias companhias de private equity estão em busca de usinas para consolidar e levar à Bolsa. Um exemplo é o fundo de investimento Terra Viva, que quer investir em pelo menos cinco usinas, para depois uni-las e lançar ações de uma companhia maior.

O primeiro passo já foi dado, com a compra de cerca de 20% de uma usina do grupo Tonon, que possui duas unidades de produção. O preço pago não foi revelado. A capacidade é de esmagamento de 5,3 milhões de toneladas de cana. Mais três negócios estão em andamento.

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