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Saída do primeiro-ministro italiano, pacote de austeridade na França e formação do novo governo grego agitam a Europa

Enquanto o futuro do governo grego e as novas medidas de austeridade anunciadas na França aumentam o nervosismo dos mercados nesta segunda-feira, o mero rumor de que o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, pode pedir demissão mantém o ânimo dos investidores na Itália.

Silvio Berlusconi pode renunciar ainda hoje, segundo jornais europeus
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Silvio Berlusconi pode renunciar ainda hoje, segundo jornais europeus
No início do pregão desta segunda-feira, os principais índices europeus de ações tinham queda, enquanto o FTSE MIB, de Milão, já esbanjava ganhos. Passadas algumas horas de negócios, as outras bolsas da Europa reduziram suas perdas.

Por volta de 10h40, o índice italiano subia 1,92%, enquanto a bolsa de Paris perdia 0,48%, a de Frankfurt tinha baixa de 0,20% e a de Londres caía 0,56%.

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O rumor da saída de Berlusconi, segundo o jornal espanhol El País, foi lançado por jornalistas e pelo ex-ministro Giuliano Ferrara, em um artigo no Il Foglio. A demissão é “uma questão de horas,” segundo o periódico. Mais cedo, o retorno sobre os títulos da dívida de 10 anos da Itália – terceira maior economia da zona do euro - atingiram patamares recordes, o que revela a percepção de aumento de risco.

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Amanhã, parlamentares italianos devem votar planos de orçamento e reformas no país. Se as medidas não forem aprovadas, o primeiro-ministro do país enfrentará um voto de confiança.

Segundo analistas da Lerosa Investimentos, a Itália começa ser o foco dos investidores, que questionavam a velocidade de ajustes na economia. Apesar de os italianos se animarem com a eventual saída do primeiro-ministro, incertezas sobre a aprovação do orçamento italiano preocupam toda a Europa.

"O risco de que a Itália siga o mesmo caminho trilhado pela Grécia apavora os mercados," dizem os analistas em relatório.

Em outubro, Berlusconi foi já foi submetido a um voto de confiança. Na ocasião, conseguiu o apoio da maioria do Parlamento. Na última sexta-feira, após uma rebelião partidária que deixou a coalizão do governante abalada, ele recusou-se a renunciar.

Enquanto isso, na França , o primeiro ministro François Fillon anunciou hoje um pacote de medidas que devem resultar em uma economia de 100 bilhões de euros, cerca de R$ bilhões, para equilibrar as contas do país. As medidas incluem redução de gastos, aumento de impostos e elevação da idade para a aposentadoria em dois anos em 2017.

A França teme perder a sua classificação de risco “AAA” e, com o plano, quer estar preparada para enfrentar um menor crescimento econômico, previsto em 1%.

A Grécia , que vinha sendo o centro das atenções nos últimos meses, começa a semana ofuscada pela Itália e pela França. Mas os próximos dias também serão importantes, já que será formado um novo governo de coalizão no país, após o primeiro-ministro George Papandreou ter deixado seu posto.

Agora, os gregos precisam concordar com as condições impostas pela União Europeia para que possam receber a ajuda financeira que precisam.

(Com Agências)

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