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A recente incorporação da Quattor pela Braskem cria uma petroquímica brasileira forte para competir no mercado internacional, mas também ajuda a proteger o mercado brasileiro da invasão de resinas do Oriente Médio. A avaliação foi feita pela chefe do Departamento de Indústria Química do BNDES, Cynthia Moreira, e pelo gerente do setor de petroquímica do banco, Gabriel Gomes.

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Ao contrário das preocupações sobre a formação de um monopólio suscitadas pelo negócio, o BNDES comemora a consolidação do setor, para o qual projeta investimentos de pelo menos R$ 32 bilhões até 2013. Desse total, o banco se prepara para atender a uma demanda de financiamento da ordem de R$ 14 bilhões.

Antes da definição da reestruturação da Braskem, os técnicos do BNDES viam com preocupação o cenário desenhado pela crise econômica global na petroquímica. A depressão do mercado em todo o mundo deixou sem destino a produção das novas petroquímicas projetadas pelos grandes produtores de petróleo do Oriente Médio para começar a operar este ano. Gomes avalia que isso poderia provocar uma enxurrada de resinas importadas a um custo menor, que ameaçaria a indústria petroquímica local.

Na avaliação do gerente do BNDES, há uma "reviravolta em curso na petroquímica mundial, que está deixando o caráter regional para criar um grande mercado global, onde a nova Braskem tem mais condições de disputar espaço. Nesse sentido, Cynthia frisa que a incorporação da Quattor pela Braskem atende à visão do BNDES de que é preciso criar empresas globais brasileiras em vários setores, além de atingir um nível de consolidação na petroquímica desejado pelo banco desde o processo de privatização do setor. Ela lembra que a atividade é muito sensível à escala, determinante para a competição no mercado interno e mundial.

Cynthia confirmou que o BNDES está disposto a apoiar a internacionalização da Braskem, que negocia aquisições nos Estados Unidos, mas não detalhou de que forma vai participar mais efetivamente do setor ou qual porcentagem lhe caberá no capital acionário da companhia após a reestruturação. Hoje, a fatia do BNDESPar no capital da empresa é de 5,31%.

"A posição do banco é que qualquer empresa tem de ser grande o bastante para competir no mercado internacional", disse. Para Cynthia, não há motivos para se preocupar com um monopólio, já que o mercado nacional é aberto e a concorrência com as importações limitarão o poder da Braskem de formar preço.

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